Calçadas ameaçam quem anda a pé em João Pessoa

O Alumia fez o monitoramento para avaliar a qualidade das calçadas em João Pessoa. Os resultados mostraram desníveis, obstáculos como postes, degraus, entulhos, lixeiras, motos e carros estacionados, falta de pavimentação e árvores mal posicionadas.

Esses problemas impactam o deslocamento a pé e negligenciam o direito à mobilidade urbana para todas as pessoas. Idosos, crianças e Pessoas com Deficiência (PCD) ou com dificuldade de locomoção são as mais afetadas.

Para Crisantina Cartaxo, 83 anos, assistente social aposentada, “a má conservação, raízes de árvores, buracos e batentes nas calçadas no bairro de Tambaú, onde moro, impossibilitam diariamente o deslocamento da pessoa idosa”.

Guia Lima, professora aposentada, moradora do Jardim Planalto, disse que só passou a ver as más condições das calçadas após ser acometida por um problema reumatológico. “O desnível das calçadas, os buracos e a falta de rampas são terríveis para quem tem a mobilidade afetada, daí corremos o risco de sofrer acidentes”, disse.

Késia Ferreira teve poliomielite na infância. Ela mora perto de uma feira no bairro do Rangel, mas na condição de cadeirante não consegue fazer suas compras sozinha. “Para sair de casa, tenho que ir pelo asfalto correndo risco de ser atropelada porque as calçadas não oferecem rampas”, lamenta.

As calçadas que deveriam conectar com segurança as pessoas aos transportes públicos, ao comércio e aos equipamentos urbanos são mal conservadas em todos os bairros visitados pelo Alumia: Altiplano, Tambaú, Manaíra, Bancários, Bairro dos Estados, Bessa, Castelo Branco, Colibris, Cristo e Jaguaribe.

O deslocamento a pé também é complicado na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, em Tambaú, onde o muro de uma casa avança sobre a área destinada à calçada, causando risco de atropelamento de pedestres.

Não bastasse isso, em ruas como a João Câncio, no bairro de Manaíra, é comum o pedestre se deparar com carros estacionados nas calçadas, como mostra a foto a seguir. Na maioria das vezes, a pessoa é obrigada a se arriscar pisando o asfalto, onde o corpo humano compete e geralmente perde para os automóveis.

Ainda em Tambaú, é recorrente o uso de bloquetes de concreto para impedir o estacionamento de carros sobre as calçadas. Os bloquetes se transformam em obstáculos para pedestres, principalmente para as Pessoas com Deficiência, como ocorre na Avenida Infante Dom Henrique.

No Castelo Branco, na Rua Coronel Matos Cardoso, além do estreitamento das calçadas, a caminhabilidade é dificultada por lixeiras, vergalhões de ferro, batentes e postes. Também no Castelo, na Rua São Rafael, as calçadas exibem batentes e declives.

No bairro dos Colibris, na Rua Benício de Oliveira, há calçada sem conservação, com pedras soltas, que podem provocar quedas e acidentes.

Em Jaguaribe, na Avenida Paulo Afonso e na Rua General Eurico Gaspar, vegetação e lixo (foto abaixo) cobrem as calçadas, gerando preocupações e transtornos para pedestres.

No Altiplano, a Rua Henrique Sales Monteiro tem calçadas em má condição, piso irregular, buracos, impróprias para cadeirantes.

Em vários bairros, como o Cristo Redentor, na Rua Olívia de Almeida, caixas de concreto sem tampa representam riscos à segurança e à higiene pública. O problema também ocorre na Rua Professora Eudésia Vieira, no Bairro dos Estados, como mostra a foto principal.

No Bessa, vegetação e tijolos nas calçadas atrapalham a caminhada dos moradores e visitantes. E na Rua Luiz Gonzaga de Andrade (foto abaixo), no bairro dos Bancários, os pedestres enfrentam entulhos, troncos de árvore, postes e desníveis nas calçadas.

_______________

Apuração: Anna Athayde, Ana Sarah Cordeiro, Anna Marissa, Caren Braga, Deborah Nascimento, Dinarte Varela, Gabriel Fernandes, Janaína Barbosa, Lara Couras, Lívia Trajano e Sônia Lima

Supervisão e redação: Sônia Lima

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *