Categoria: Cotidiano

  • Falta de acessibilidade é regra em prédios públicos da capital

    Falta de acessibilidade é regra em prédios públicos da capital

    De 18 a 24 deste mês de agosto, o Alumia saiu às ruas da capital para avaliar acessibilidade em órgãos públicos. A falta de piso tátil e de rampas suficientes para toda a extensão das calçadas são problemas comuns a escolas, postos de saúde, mercados, cemitérios e repartições do Poder Judiciário sediadas em João Pessoa.

    Foram visitadas órgãos municipais e estaduais em Tambaú, Altiplano, Manaíra, Jaguaribe, Cristo, Bessa, Colibris e Bairro dos Estados. No Mercado Público de Tambaú (Avenida Ruy Carneiro com a Rua Coração de Jesus, foto abaixo), por exemplo, a acessibilidade é difícil até para pedestres sem mobilidade restrita.


    O prédio tem calçadas estreitas em três níveis de degrau. Cadeirante que se desloca pela Ruy Carneiro só acessa a feira local se usar o piso rebaixado de uma loja vizinha ao mercado. O que vier pela Coração de Jesus vai encontrar uma pequena rampa, mas terá dificuldades para superar os batentes.

    A equipe do Alumia visitou também o Mercado de Artesanato de Tambaú. Piso tátil? Apenas na entrada de agência da Caixa Econômica, no térreo. Rampas? Cinco: três na frente, na Ruy Carneiro, uma na Avenida Navegantes com a Rua Isidro Gomes e outra na Isidro com a Avenida Maria Sales.

    Em Manaíra, a Escola Seráfico da Nóbrega ocupa quase um quarteirão na Avenida Ubirajara Targino Botto com as ruas Lupércio Branco e Coronel Severino Lucena. Tem apenas uma rampa de acesso ao portão de entrada e nenhum piso tátil em todas as calçadas do entorno do educandário.

    No Altiplano, prédios da Justiça são também inacessíveis para quem precisa de acessibilidade. A Corregedoria Geral e a Escola Superior da Magistratura (Esma), na Rua Abelardo da Silva Barreto, compartilham calçadas sem rampa para cadeirante e sem sinalização para pessoa de visão reduzida ou nenhuma.


    Em Jaguaribe, na Rua Engenheiro Leonardo Arcoverde, a Secretaria Municipal de Habitação Social (foto acima) deveria ser, mas não é exemplo de acessibilidade. Não tem piso tátil e dispõe apenas de uma rampa na calçada que compartilha com unidade da Polícia Militar que serve ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

    No Cemitério Público do bairro do Cristo, na esquina das ruas Antônia Gomes da Silveira e Olívia Martins de Almeida Guerra, falta calçada toda pavimentada e sobra lixo, com o reforço de galhos de árvores, alguns com espinhos. Zero acessibilidade tanto para quem passa como para quem entra e não sai mais.

    Ainda no Cristo, a Policlínica Municipal da Rua Olívia Martins de Almeida Guerra tem calçada sem piso tátil e sem rampa. Situação parecida com a da Policlínica Municipal Maria Alice Bezerra Cavalcanti, na Avenida Olinda (Tambaú), onde também não tem piso tátil nem rampa.

    A falta de acessibilidade afeta até mesmo a Secretaria Estadual de Cultura (Secult), na Rua Hilda Coutinho Lucena, em Miramar. Não tem piso tátil, mas tem desnível entre asfalto e calçada. No mesmo bairro, o Posto de Saúde da Família (PSF) na Rua Macrina Barbosa de Abril tem rampa, mas não piso tátil.

    Problema semelhante apresenta a Unidade de Saúde da Família do São José, na Avenida Virgolvino Florentino da Costa (Manaíra), que tem apenas um piso rebaixado na entrada. Já no Bessa, a USF da Rua Napoleão Gomes Varela tem três rampas de acesso (uma delas no estado que mostra a foto abaixo), mas não tem piso tátil. A exceção fica por conta de Colibris, com sua USF dotada de rampa e piso tátil.


    O Alumia encontrou duas escolas municipais acessíveis: a Anita Trigueiro do Valle (Altiplano) e a Nazinha Barbosa (Manaíra, foto abaixo). Ambas contam com rampas e piso tátil em suas calçadas.

    Providência semelhante tomou quem levou para o Bairro dos Estados a Ouvidoria Geral do Estado, localizada na Avenida Maranhão. O órgão possui calçada com a guia rebaixada e tem piso tátil.

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    Apuração: Ana Athayde, Ana Sarah Cordeiro, Caren Braga, Deborah Nascimento, Gabriel Fernandes, Janaína Barbosa, Lara Couras, Maria Rayane e Sônia Lima
    Redação: Sônia Lima e Deborah Nascimento

  • FM reforça preconceitos contra mulheres e pessoas LGBTQIA+

    FM reforça preconceitos contra mulheres e pessoas LGBTQIA+

    O programa ‘E se fosse você?’, da Sucesso FM, segue reforçando estereótipos e representações negativas sobre mulheres e pessoas LGBTQIA+. Novo monitoramento do Alumia, entre 28 de julho último e 1º de agosto, identificou uso frequente na emissora de expressões pejorativas como “frutinha”, “frango”, “boiola” e “baitola”, entre outros deboches e ofensas.

    No período, casos envolvendo suspeitas de infidelidade, disputas familiares e acusações de comportamentos inadequados foram abordados com pouca ou nenhuma mediação crítica. Comentários do apresentador e ouvintes frequentemente desqualificam mulheres, com julgamento moral e exclusão social.

    O ‘E se fosse você?’ da Sucesso FM é transmitido de segunda a sábado, das 9 às 10h. É o carro-chefe da programação de uma das cinco concessões públicas de radiodifusão outorgadas ao Grupo Arapuan de Comunicação. O programa coloca a emissora entre as três mais ouvidas da capital paraibana, segundo pesquisas de audiência divulgadas nos últimos cinco anos.

    ‘MORANGUINHO’

    Paloma, 22 anos, casada e mãe de uma criança de dois anos, procurou o programa no dia 28 de julho para contar o que considera um episódio inusitado envolvendo o marido, Paulinho, vendedor em uma loja de calçados de um grande shopping da capital paraibana.

    Segundo Paloma, até então não havia motivos para desconfiar da fidelidade do marido. “Ele sempre foi honesto, comportado e verdadeiro comigo. Nunca fui ciumenta nem de ficar monitorando o celular dele”, contou.

    O episódio que levantou suspeitas ocorreu na sexta-feira anterior. Ao chegar em casa, Paloma percebeu que o carro do casal, estacionado na garagem, estava aberto e, dentro dele, havia uma bandeja de morangos. Pela manhã, ela notou que as frutas estavam aparentemente estragadas. Questionado, Paulinho afirmou que os morangos eram para ela. “Mas, se eram para mim, por que não me entregou?”, questionou.

    A dúvida aumentou quando Paloma, ao mexer no celular do marido, encontrou mensagens trocadas com um amigo identificado como David. No diálogo, Paulinho dizia que “os primeiros [morangos] eram para ele”. A foto do perfil de David mostrava-o mordendo um morango. “Ele disse que é de boa com todo mundo da loja e que não dá em cima dele, mas fiquei sem acreditar”, afirmou Paloma.

    Desde então, o casal não se fala. “Será que meu marido é um ‘moranguinho’ e eu não sabia?”, perguntou, pedindo a opinião de outras mulheres que acompanhavam o programa. Em resposta, ouvintes se referiram a David como “frutinha”, “frango”, “boiola” e “baitola” em tom de deboche e ainda afirmaram que ele estava “comendo o morango e levando outra coisa”. Um outro ouvinte afirmou que o marido de Paloma “é gay” e “gosta de brincar de boneca”. Foram usados ainda outros termos homofóbicos como “picolé de carne”, “viado”, “fanta” e “sukita”.

    ‘AMIGA’ CALOTEIRA

    No programa do dia 29, mulher narra que uma amiga, a quem emprestou cartão de crédito, fez compra não autorizada no valor de R$ 4.500 em benefício de um namorado, que teria se comprometido a quitar a dívida em dez parcelas. Ela costumava emprestar o cartão, mas para compras de no máximo R$ 700.

    A suposta pessoa que enviou a pretensa carta ao programa garante que o namorado da amiga não honrou o pagamento da dívida e a amiga está lhe evitando. Teme que seu marido descubra tudo e pede ajuda, pois não sabe o que fazer. Ouvintes aconselharam-na a revelar tudo ao marido. Alguns sugeriram que o casal prejudicado fosse à casa da devedora tomar bens móveis para amenizar o prejuízo.

    A mulher que se diz enganada foi tratada como “trouxa” por ter emprestado o cartão. “Vai ouvir bastante do marido, mas deve falar pra ele”, disse uma ouvinte. “Quem empresta, nem pra si presta”, sentenciou outra pessoa que ligou para o programa. Um terceiro recomendou “botar o marido no meio para resolver”.

    JANELA INDISCRETA

    Alessandro, casado e pai de família, escreveu para o programa em 30 de julho para relatar um dilema: após autorização do vizinho, Seu Carlos, para abrir uma janela voltada ao quintal dele e assim resolver um grave problema de mofo em casa, enfrenta situação delicada. Conta que a esposa do vizinho, sempre que ele aparece na janela, faz gestos e insinuações de cunho sexual.

    Quem apresenta o programa fez comentários jocosos, carregados de estereótipos de gênero, como “se a mulher dele (do vizinho) é gostosa…”. Entre os que participaram por telefone, a maioria aconselhou Alessandro a se afastar da janela para evitar problemas no casamento e preservar a amizade com o vizinho. Outros defenderam que ele deveria contar tudo a Seu Carlos, mesmo correndo o risco de conflito.

    Houve também comentários mais agressivos, dirigidos tanto a Alessandro quanto à esposa do vizinho. Expressões como “ele está sendo um covarde, safado” e “mulher casada cheira a sangue” marcaram a interação, reforçando o tom ofensivo. O programa tocou músicas como ‘Esperando na janela’ para compor a trilha do caso.

    O episódio expôs não apenas o dilema pessoal do ouvinte, mas também a forma como programas populares exploram situações íntimas em tom sensacionalista, reforçando estereótipos sobre mulheres e privilegiando o entretenimento em detrimento do debate crítico.

    ASSEDIANDO PROFESSORA

    Denise, 27 anos, moradora de João Pessoa, procurou o programa em 31 de julho para contar que vive um impasse no casamento após descobrir o motivo das constantes reclamações do marido, Roberto, sobre a professora do filho. Casados há sete anos, eles têm um menino de cinco anos matriculado em uma escola particular da cidade.

    Segundo Denise, era comum ouvir Roberto, responsável por buscar a criança na escola, criticando a professora. As queixas geraram discussões frequentes no casal, até que ele passou a exigir a transferência do filho para outra instituição. Pressionada, Denise chegou a conversar com a direção da escola para viabilizar a mudança.

    Ao saber da possível saída do aluno, a professora demonstrou tristeza e indignação, mas não explicou o motivo de imediato. Dias depois, já com a matrícula trancada, enviou uma mensagem à mãe revelando a causa das críticas: Roberto estaria enviando mensagens de cunho sexual pelas redes sociais, em modo de visualização única.

    De acordo com Denise, o marido pediu para “deixar a história para lá” quando percebeu que não conseguiria afastar o filho da professora. O caso deixou a mãe dividida entre esclarecer todos os detalhes do episódio ou esquecer o assunto e seguir a vida. Parte dos ouvintes pediu cautela, enquanto outros adotaram tom acusatório e até irônico.

    Alguns defenderam que Denise investigue mais antes de agir, sugerindo que procure entender todos os detalhes da história. Outros não pouparam críticas, chamando Roberto de “bandido” e acusando tanto ele quanto a professora de desrespeitar o relacionamento. Houve também quem atribuísse maior responsabilidade à professora.

    Entre as manifestações mais duras, uma ouvinte questionou se Denise “tem vocação para corna” e outro participante propôs que ela “desse o troco”, traindo o marido. Vários dos que ligaram disseram acreditar que Roberto e a professora estariam vivendo realmente um relacionamento amoroso.

    ASSÉDIO NORMALIZADO

    No programa de 1º de agosto, Maiara, 25 anos, mãe de uma menina de três, sofreu assédio do melhor amigo de seu namorado e tem dúvidas se deve contar o ocorrido. Maiara é a vítima, mas percebe-se nas falas dos ouvintes e do apresentador a preocupação com o namorado da vítima e certa condescendência com o assediador.

    “Meu namorado se chama Ítalo, um cara que me ajuda muito (…) Eu tenho um emprego razoável e eu nunca pedi ajuda a ninguém, mas Ítalo ajuda porque quer, porque se sente bem me ver feliz e também confortável (…) Ítalo é um cara de muitas amizades, dentre esses amigos existe o Jefferson. Um cara que eu jurava ser o melhor amigo do meu namorado, que sempre falava bem dele. Sempre com muito orgulho e muita empolgação (…) Eu sempre ouvia meu namorado falar que Jefferson emprestava dinheiro”.

    Maiara, em momento de dificuldade financeira, resolveu recorrer ao amigo do namorado em busca de um empréstimo, a juros de 30% ao mês. Ao prever o possível atraso do pagamento em alguns dias, Maiara se comunica com Jefferson para lhe dar satisfação e recebe de volta um áudio (de visualização única), com uma proposta sexual em troca do perdão da dívida. Ela disse que sentiu nojo, ódio e tem vontade de contar tudo ao namorado. Mas nada poderia provar por ser o áudio de visualização única.

    Ela teme que o namorado não acredite ou se aborreça, porque ela não recorreu a ele para pedir ajuda. “Meu namorado não merece uma amizade dessa! Devo falar pra Ítalo?”, pergunta Maiara à audiência do ‘E se fosse você?’.

    Na sequência o apresentador fala: “A mulher não sabe o que tem dentro de um homem, nunca vai saber o que acontece quando ele vira a chave, quando o cara bota a bila de fogo nos olhos. Tu disseste o quê? Tu fizeste o quê?’. Em seguida, ele ironiza a situação ao imaginar como a mulher contaria tudo ao namorado:
    – Já pensou se Maiara dissesse “Jefferson queria me ‘torar’ pelo pagamento?” Todo homem tem um comportamento másculo, apesar que tem uns homens hoje em dia que estão com déficit de testosterona.

    Ouvintes sugeriram que a mulher não contasse o caso ao namorado. “Deixe essa história para trás e evite colocar o homem em conflito”, recomendou um. Outro reproduziu o que certamente considera um ensinamento: “A mulher sábia edifica o lar, e a tola o destrói”. No geral, os ouvintes, principalmente os homens, aconselham a mulher a deixar a história no passado. Um deles, inclusive, diz que ela deve “apenas tirar uma lição do ocorrido”.

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    Apuração: Anna Athayde, Janaína Barbosa, Lívia Trajano, Jean Santos e Sabrina Farias

    Supervisão e Redação: Sônia Lima e Ítalo Rômany

  • Calçadas ameaçam quem anda a pé em João Pessoa

    Calçadas ameaçam quem anda a pé em João Pessoa

    O Alumia fez o monitoramento para avaliar a qualidade das calçadas em João Pessoa. Os resultados mostraram desníveis, obstáculos como postes, degraus, entulhos, lixeiras, motos e carros estacionados, falta de pavimentação e árvores mal posicionadas.

    Esses problemas impactam o deslocamento a pé e negligenciam o direito à mobilidade urbana para todas as pessoas. Idosos, crianças e Pessoas com Deficiência (PCD) ou com dificuldade de locomoção são as mais afetadas.

    Para Crisantina Cartaxo, 83 anos, assistente social aposentada, “a má conservação, raízes de árvores, buracos e batentes nas calçadas no bairro de Tambaú, onde moro, impossibilitam diariamente o deslocamento da pessoa idosa”.

    Guia Lima, professora aposentada, moradora do Jardim Planalto, disse que só passou a ver as más condições das calçadas após ser acometida por um problema reumatológico. “O desnível das calçadas, os buracos e a falta de rampas são terríveis para quem tem a mobilidade afetada, daí corremos o risco de sofrer acidentes”, disse.

    Késia Ferreira teve poliomielite na infância. Ela mora perto de uma feira no bairro do Rangel, mas na condição de cadeirante não consegue fazer suas compras sozinha. “Para sair de casa, tenho que ir pelo asfalto correndo risco de ser atropelada porque as calçadas não oferecem rampas”, lamenta.

    As calçadas que deveriam conectar com segurança as pessoas aos transportes públicos, ao comércio e aos equipamentos urbanos são mal conservadas em todos os bairros visitados pelo Alumia: Altiplano, Tambaú, Manaíra, Bancários, Bairro dos Estados, Bessa, Castelo Branco, Colibris, Cristo e Jaguaribe.

    O deslocamento a pé também é complicado na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, em Tambaú, onde o muro de uma casa avança sobre a área destinada à calçada, causando risco de atropelamento de pedestres.

    Não bastasse isso, em ruas como a João Câncio, no bairro de Manaíra, é comum o pedestre se deparar com carros estacionados nas calçadas, como mostra a foto a seguir. Na maioria das vezes, a pessoa é obrigada a se arriscar pisando o asfalto, onde o corpo humano compete e geralmente perde para os automóveis.

    Ainda em Tambaú, é recorrente o uso de bloquetes de concreto para impedir o estacionamento de carros sobre as calçadas. Os bloquetes se transformam em obstáculos para pedestres, principalmente para as Pessoas com Deficiência, como ocorre na Avenida Infante Dom Henrique.

    No Castelo Branco, na Rua Coronel Matos Cardoso, além do estreitamento das calçadas, a caminhabilidade é dificultada por lixeiras, vergalhões de ferro, batentes e postes. Também no Castelo, na Rua São Rafael, as calçadas exibem batentes e declives.

    No bairro dos Colibris, na Rua Benício de Oliveira, há calçada sem conservação, com pedras soltas, que podem provocar quedas e acidentes.

    Em Jaguaribe, na Avenida Paulo Afonso e na Rua General Eurico Gaspar, vegetação e lixo (foto abaixo) cobrem as calçadas, gerando preocupações e transtornos para pedestres.

    No Altiplano, a Rua Henrique Sales Monteiro tem calçadas em má condição, piso irregular, buracos, impróprias para cadeirantes.

    Em vários bairros, como o Cristo Redentor, na Rua Olívia de Almeida, caixas de concreto sem tampa representam riscos à segurança e à higiene pública. O problema também ocorre na Rua Professora Eudésia Vieira, no Bairro dos Estados, como mostra a foto principal.

    No Bessa, vegetação e tijolos nas calçadas atrapalham a caminhada dos moradores e visitantes. E na Rua Luiz Gonzaga de Andrade (foto abaixo), no bairro dos Bancários, os pedestres enfrentam entulhos, troncos de árvore, postes e desníveis nas calçadas.

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    Apuração: Anna Athayde, Ana Sarah Cordeiro, Anna Marissa, Caren Braga, Deborah Nascimento, Dinarte Varela, Gabriel Fernandes, Janaína Barbosa, Lara Couras, Lívia Trajano e Sônia Lima

    Supervisão e redação: Sônia Lima

  • Falta acessibilidade, sobram problemas nos pontos de ônibus da capital

    Falta acessibilidade, sobram problemas nos pontos de ônibus da capital

    A falta de acessibilidade é uma das marcas mais visíveis dos pontos e paradas de ônibus de João Pessoa. A maioria não dispõe de calçada regular, de piso uniforme sinalizado para cegos ou rampas para quem usa cadeira de rodas.

    No esforço de checagem para atender a uma pauta sugerida por usuário do transporte coletivo da capital, o Alumia constatou a procedência de denúncias e reclamações sobre descaso e omissão da autoridade municipal de trânsito.

    Na Avenida Cruz das Armas, apenas dois pontos de ônibus contam com bancos e acessibilidade. Esse da foto acima, na calçada do Cemitério São José, retrata bem o tratamento dispensado ao problema pelo poder público.

    Perto do mesmo ponto funciona o Colégio Papa Paulo VI, onde estudam cerca de dois mil alunos, a maioria dependente de ônibus. São dois mil passageiros em potencial de um sistema com múltiplas precariedades.

    Dotado apenas de cobertura, o ponto não tem uma calçada com piso regular. Muito menos piso tátil para quem não tem visão ou a tem reduzida e sequer uma rampinha próxima, na guia rebaixada, à disposição de cadeirantes.

    E o que dizer, então, desse mostrado na foto abaixo, mais adequado, pelo visto, para servir como abrigo de moto? Fica na Henrique Sales Monteiro, uma rua da área menos valorizada do bairro do Altiplano do Cabo Branco.

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    Apuração e fotos: Sandra Moura e Sônia Lima

  • Pontos de ônibus da capital são também pontos de discriminação social

    Pontos de ônibus da capital são também pontos de discriminação social

    Pontos de ônibus novos, bem estruturados, com cobertura, bancos e piso tátil para pessoas cegas ou de visão limitada podem ser encontrados em João Pessoa. Mas é quase uma exclusividade de ruas e avenidas mais extensas e mais bem cuidadas, que cortam ou separam bairros ditos nobres na capital.

    São vias de acesso às praias, como as avenidas Epitácio Pessoa, Beira-Rio e Tancredo Neves. Mesmo assim, nota-se constrangedora discriminação com que a Prefeitura da Capital cuida de cada uma. Nos trechos onde moram pessoas de renda média ou alta, os pontos de ônibus são melhores, mais seguros e minimamente confortáveis.

    Na Epitácio Pessoa, do centro à orla, indo e voltando, os pontos de ônibus encontram-se em boas condições de uso. Na Beira-Rio, nos sentidos centro-praia ou praia-centro, já se nota um queda na qualidade dos equipamentos. Que piora ainda mais na Tancredo, especialmente na parte que cabe a Mandacaru, só melhorando quando motorista e passageiros atingem o Retão de Manaíra.

    BOULEVARD BEM SERVIDO

    Transformada em vistoso e aprazível boulevard após uma reforma requalificadora empreendida há um ano pela Prefeitura em parceria com o Governo do Estado, o conjunto de vias chamado de Três Ruas dos Bancários (Avenida Waldemar de Mesquita Accioly) ganhou pontos de ônibus dignos (foto acima) de um bom serviço de transporte coletivo que João Pessoa um dia há de ter.

    O resto do bairro, contudo, continua a sofrer com locais de espera precários e inseguros para quem ‘anda’ de ônibus. Da precariedade e insegurança não escapa nem mesmo a chamada Principal dos Bancários (formada pela sequência das avenidas Bancário Sérgio Guerra, Walfredo Macedo Brandão e Empresário João Rodrigues Alves), como se vê na foto abaixo.


    EM CRUZ DAS ARMAS…

    Na avenida que traz o mesmo nome do bairro mais antigo da Zona Oeste da capital, da altura da Praça Bela Vista até o semáforo do acesso ao Bairro dos Novais, seis paradas (só placas indicativas) e 12 pontos de ônibus (quando têm pelo menos cobertura). Desses, apenas dois têm bancos; outros dois, bancos e acessibilidade.

    Detalhe: na mesma avenida, na calçada do Hospital da Mulher (antiga Maternidade Frei Damião) existe piso tátil. Mas pacientes, seus familiares e outros usuários de ônibus mereciam um ponto com cobertura e banco. Contam apenas, todavia, com uma placa da parada (foto abaixo) antecedida de rampa para cadeirantes.

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    Apuração e fotos: Mateus Toledo / Supervisão: Sônia Lima

  • Ponto de ônibus na capital é uma parada de descaso, desconforto e precariedades

    Ponto de ônibus na capital é uma parada de descaso, desconforto e precariedades

    “Pior do que pegar é esperar ônibus em João Pessoa”, disse usuário(a) do transporte coletivo urbano da capital em mensagem ao Alumia, sugerindo a este Laboratório verificar o estado em que se encontram os pontos e paradas de ônibus da cidade.

    Equipe do Alumia constatou semana passada que a maioria tem estrutura precária, desconforto e falta de conservação, além de flagrante despadronização, tanto visual quanto do material com que são fabricados e instalados os pontos de ônibus. Padronização, só mesmo das placas que sinalizam paradas.

    A má qualidade dos equipamentos e do serviço a que se destinam é tamanha que chamou a atenção do jornalista Abelardo Jurema, referência do chamado colunismo social da Paraíba, que cobre essencialmente fatos e eventos de pessoas ricas ou famosas.

    A ausência de abrigos para passageiros de ônibus em espera de transporte expõe “falha imperdoável no planejamento urbano de nossas ruas e avenidas”, anotou Abelardo na seção ‘Desce’ da sua coluna publicada na última quarta-feira (30 de julho).

    Com mais de 50 anos de atuação na imprensa paraibana, Abelardo Jurema não precisa se deslocar a qualquer rua ou avenida da capital para conferir o descaso e a exposição ao sol ou chuva de quem aguarda ônibus em qualquer ponto ou parada.

    Basta trafegar por Tambaú, endereço de classe média alta de João Pessoa. Difícil encontrar cobertura, banco ou acessibilidade (piso tátil, por exemplo) nos pontos ou paradas de ônibus usados mais ou unicamente por quem trabalha para os abastados do bairro.

    Quadro semelhante o Alumia registrou em Jaguaribe, Bairro dos Estados, Bessa e bairros da Zona Sul. Mas nem tudo está perdido! É possível encontrar algo decente nos corredores viários onde a Prefeitura da Capital requalificou calçadas, em gestão anterior.

    Nas fotografias a seguir, de cima para baixo: um ponto de ônibus bem estruturado na Avenida Epitácio Pessoa, em Tambaú; um sem estrutura alguma na Avenida Hilton Souto Maior (Colibris) e uma parada na Capitão José Pessoa, em Jaguaribe.

  • Continua em cartaz o show de preconceitos em rádio da capital

    Continua em cartaz o show de preconceitos em rádio da capital

    O show de machismo e misoginia, com participação especial da homofobia, continua em cartaz em ‘E se fosse você?’, da Sucesso FM, emissora do Grupo Arapuan de Comunicação, de João Pessoa. Foi o que constatou equipe do Alumia ao retomar entre os dias 14 e 25 deste mês o monitoramento da principal atração da rádio, líder de audiência das 9 às 10h, horário do programa monitorado.

    A liderança da Sucesso FM ancorada no ‘E se fosse você?’ deve-se, em tese, à forma como a sintonia atrai e estimula considerável número de ouvintes a se manifestarem sobre histórias e situações constrangedoras, humilhantes até. Fictícios ou não, os relatos de dramas e dilemas apresentados induzem a manifestações preconceituosas contra mulheres e gays, principalmente.

    CADELA COMPARTILHADA

    No dia 14, ‘Vítor’, 29 anos, morador de João Pessoa, pediu conselhos sobre se devia ou não continuar namorando Meirinha, que divide com um ex a guarda da cadelinha Dandara. Disse que certa vez foi à casa da namorada e ‘pegou o cara’ dando banho na cachorrinha. “Ela jura de pé junto que não tem nada com ele, mas… Eu fui lá, e quem me atendeu foi ele, sem camisa, de shortinho fininho, daqueles de banho, todo molhado!”, relata o desconfiadíssimo namorado.

    “Ele tá torando a sua namorada”, “O cara tá dando banho em Dandara e na dona da Dandara e tome chifre” e “Esse pobi tá levando uma gaia tão grande”. Falas de vozes masculinas que ligaram para o programa. Uma mulher também participou para dizer que Meirinha é “muito é safada”. Mais homens telefonam. Um chama de ‘pilantra’ a namorada de Vítor, outro questiona porque o rapaz ainda está com a “sem vergonha”; um terceiro, sugere que Vítor procure outra, porque “essa daí é sem futuro”.

    A FILHA DO AMIGO

    Na história do dia 15, Vagner, 40 anos, desempregado, solteiro, arranja moto com um amigo para fazer transporte por aplicativo, de onde tiraria o próprio sustento e o da filha de seis anos. Em troca, teria que levar Rayana, 17 anos, todos os dias para uma faculdade. Levar e trazer de volta, evitando assim que a jovem pudesse ser assediada por motoristas ou motoboys outros, uberizados. Ela é filha de Gilberto, o amigo certo que socorreu Vagner na hora mais incerta.

    Não demorou, das idas e vindas das aulas da moça brotou um romance. Temendo que Gilberto descubra tudo, tome a moto e faça algo mais em nome da revolta e suposta traição, Vagner pergunta ao programa e ouvintes se deve contar tudo ao pai dela ou terminar o relacionamento. Diz ainda que Rayana, muito apaixonada, quer assumir e enfrentar toda e qualquer reação da família.

    O primeiro comentário vem do apresentador Alisson Cardoso, para quem “homem velho com mulher nova só dá em cangaia mesmo”. Opinião compartilhada pela maioria dos ouvintes que participam, aconselhando Vagner a terminar o namoro com Rayana, pois “a menina vai trair” o namorado mais cedo ou mais tarde e que o melhor a fazer é preservar a amizade com Gilberto.

    VENDEDOR DE PAÇOCA

    Dia 16 de julho. Marido conta que dedicou anos de sua vida à esposa, mas recentemente descobriu que estava sendo traído com o paçoqueiro do ônibus que eles pegavam todos os dias. “Ser trocado por um cara que vende paçocas?” — eis a maior indignação do homem. O homem traído revela que a esposa não sabe que ele descobriu a traição e pede ajuda para expulsá-la de casa sem que ela leve nada.

    O apresentador do ‘E se fosse você?’ abre um desfile de piadas chamando de ‘’corno da paçoca’’ o pretenso narrador da história. Logo um ouvinte liga para alertá-lo: ‘’Se você tá achando sua esposa diferente, fica vendo se ela não tá com calcinha nova no varal, se não tá se preocupando mais com depilação.’’ Já uma ouvinte infere que o marido tem culpa por não se cuidar, ser do tipo que “ainda por aí de calça desbotada, o tênis feio, e a mulher toda maquiada”.

    Outros não economizam no escracho. ‘’Para o cara ser trocado por um cara que vende paçoca, ele deve tá dando não só paçoca para ela mas outra coisa também”, observou um. ‘’Mulher é bicho nó cego, mesmo”, atalhou outro. “Se ficar com ela, além de ser corno paçoca, vai ser um otário”, previu uma. ‘’Se ela tá com ele, amou a paçoca dele’’, avaliou outra. “Ele tá paçocando”, arrematou outro homem.

    BOA NOITE, CINDERELA

    Eduardo, porteiro, 45 anos, recorreu ao ‘E se fosse você?’ do dia 17. Contou que quando mais jovem não pensava em relacionamento sério, tinha orgulho de ser solteiro, curtir a vida na boemia e até de pagar a alguém que lhe desse prazer. Certa noite, conheceu Janiele em um aplicativo de relacionamento. Encontraram-se, foram a um motel, onde sofreu o golpe conhecido como ‘Boa noite, Cinderela’, quando a vítima toma sem saber algo que faz adormecer e facilitar roubo ou furto.

    Depois do episódio, Eduardo resolveu mudar e mudou. Passou a frequentar uma igreja, onde começou a namorar Joana, uma das fiéis. Onde encontrou também ninguém menos que Janiele. A mesma Janiele que o teria furtado no motel e, pior, prima da namorada que pedira em orações. O dilema: conta tudo a Joana para, inclusive, reaver o que lhe foi tomado, ou segue em frente, sem sequer confrontar Janiele?

    A primeira pessoa que liga, uma mulher, recomenda ao autor da carta contar toda a verdade à namorada, mas desaconselha enfrentar Janiele, pois pode ser perigoso, porque ele não sabe com quem ela se relaciona. Outra alerta Eduardo para ter cuidado com as “boyzinhas”, comparando-as a Satanás.

    Um ouvinte, o sétimo na linha, aconselha Eduardo a “deixar pra lá”, porque “garotas de programa” seriam risco comum a todos os homens. O décimo-quarto a ligar diz para Eduardo ter cuidado até com a namorada, pois “as certinhas também podem ter seus gostos peculiares”, como gostar de “macaxeira”.

    GAROTA DE PROGRAMA

    No dia 21, Isadora, 23 anos, confessa em carta que é garota de programa apaixonada por Marcelo, um “cliente fixo” que a rejeitou de forma humilhante diante da declaração de amor da jovem. Ela pede conselhos para decidir se conta sobre o relacionamento à esposa dele.

    “Marcelo falou que jamais faria isso na vida dele, que eu não sou mulher decente e digna para ser apresentada assim ao público, para ser apresentada como namorada ou mulher, e que mulher decente e de verdade era a mulher dele”, narra Isadora, depois de informar que o seu cliente sempre falava mal da mulher com quem casara.

    “Perdi o amor, o cliente e fui tratada como lixo. Um verdadeiro entulho de lixo. Só que eu estou com vontade de contar tudo para a esposa dele. Eu tenho todas as conversas salvas e eu sei que sou uma garota de programa, que meu tratado com ele era sair, mas foi ele quem plantou essa semente de amor dentro do meu coração, pela forma como ele me tratava, como a gente tinha essa relação”, acrescenta.

    Antes de abrir o programa para ligações de ouvinte, o apresentador comenta que “mulher de fora faz todo tipo de safadeza que mulher de casa não faz”, reforçando o estereótipo de esposa “recatada, do lar”, enquanto mulheres como Isadora seriam a personificação da safadeza. “Mulher do job não beija na boca não, porque se apaixona””, complementa.

    Um ouvinte garante a Isadora que Marcelo jamais deixará a esposa “por alguém do job”, repetindo o termo usado pejorativamente por Cardoso para se referir ao ofício de quem escreveu para o programa. “Ele nunca vai deixar a mulher dele não, meu amor. Qual é a parte que você não entende? Todo homem que sai com alguém do job, ele não deixa a mulher dele pela menina do job não, viu?”, reforça quem ligou e falou coisas do tipo.

    Poucas pessoas que ligaram para o ‘E se fosse você?’ se compadecem de Isadora e se mostram compreensivos com o problema dela. Seguem a linha de que ele é o errado, não ela. Na sequência, porém, Alisson atende ao pedido de alguém que quer ouvir a canção ‘Rapariga Apaixonada’, interpretada por Edyr Vaqueiro, com versos que são um primor de grosseria e vulgaridade. Assim:

    Acabei de ser expulso da minha própria casa
    E o pior que eu tava errado e tive que aceitar
    Tudo por causa de um print de uma desgramada
    Que eu já pagava caro para não se apegar
    Foi só eu falar que eu não queria mais, que eu ia ser fiel
    pra minha mulher receber fotos e vídeos de amor num motel
    Destruiu a minha vida, destruiu a minha casa
    Olha o estrago que faz rapariga apaixonada

    MARIDO BEBEDOR

    No dia 22, um marido relata o fim do casamento “por uma besteira”. Sempre bebeu muito, diariamente, mas, após se tornar pai, diminuiu, garante. Mas não abre mão da cervejinha com os vizinhos. A esposa recriminava.

    Reclamações terminavam em briga. “A mulher não entende, não, é pau!”, resume ele, que mandou a esposa para a casa da sogra depois de uma dessas brigas. Com a mulher na casa da mãe dela, ele achou de comemorar.

    Convidou amigos para beber em sua casa. A mãe de um deles – “ boa, gostosa” – tomou todas e se exibiu, dançando e rebolando “até o chão”. A esposa soube do espetáculo; indignada, pediu separação. Meio arrependido, quer saber do programa se tenta (mais uma) reconciliação.

    Alguns comentários de ouvintes: ‘’…tem mulher que fica enchendo o saco do cara’’; “… casamento assim não tem futuro não’’; ‘’… tu é homem ou um saco de batata?”; “… deixa ela lá na casa da mãe dela (…) e já que a coroa é boa, cai pra dentro”; ‘’… para com essa cachaça!”; “… deve ter alguém rondando teu pasto e aí para ela não deixar de uma vez, pois tá querendo te colocar na rédea”.

    SEXUALIDADE EM DÚVIDA

    Renan, promotor de eventos, define-se como “entendido”. Assumidamente homossexual, trabalha com muitas mulheres. Já tendo namorado uma garota no passado, atualmente vê com frequência mulheres trocando de roupa na sua frente. Uma delas, Tamires, despertou-lhe desejos que julgava impossível sentir.

    O primeiro ouvinte diz que “se o sujeito ‘experimentar’ mulher”, nunca mais “queima a rosca”. Em seguida, uma ouvinte aconselha Renan a “correr atrás” de Tamires, porque ela teria conseguido, nele, “resetar as configurações de fábrica”. Outra, contudo, pondera que a mulher pode reagir negativamente, rejeitar e acabar amizade entre eles.

    Homens voltam a ligar para o programa, entre eles um que duvida da “reversão de orientação” e outro que acredita que Renan pode deixar de “jogar água fora da bacia”, como teria acontecido com um amigo homossexual que “virou homem de novo”. Um terceiro alerta maridos cujas mulheres convivem com gays e travestis.

    CONCLUSÃO ÓBVIA

    O programa ‘E se fosse você?”, da Sucesso FM de João Pessoa, reforça estereótipos e preconceitos. A maioria dos seus ouvintes carrega na homofobia, no machismo e na desinformação, inclusive tratando a pretensa reversão à heterossexualidade como um “retorno ao normal”.

    Em vez de promover debate ou acolhimento, lamentavelmente a emissora se oferece como espaço para disseminar ideias equivocadas sobre identidade e desejo. Pior: não há sinais de que a direção, produção ou locução da rádio compreenda que deve tratar a diversidade humana com responsabilidade e respeito

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    Apuração: Anna Athayde, Gean Santos, Janaína Barbosa, Lívia Trajano e Sabrina Farias

    Supervisão: Sônia Lima

  • Caso do motorista de Uber que sequestra passageiras não ocorreu em João Pessoa

    Caso do motorista de Uber que sequestra passageiras não ocorreu em João Pessoa

    Em novembro de 2024, o Alumia recebeu pedido de checagem sobre uma mensagem que circulava nos grupos de WhatsApp de João Pessoa a respeito de um motorista de Uber que estaria sequestrando e extorquindo mulheres. 

    No card compartilhado nos grupos de WhatsApp, na capital paraibana, a mensagem apresenta a foto do motorista de Uber, de nome Silvino, e anuncia que ele estaria agindo em um carro ônix branco, de placa PBN 7D10.

    A mensagem apresentava um card com a placa do carro usado nos assaltos, o nome do suposto motorista que estaria praticando a violência, e até a fotografia de seu rosto.

    Para checar os dados, a equipe do Alumia fez pesquisas em páginas de notícias na internet. De cara, já foi encontrado o mesmo caso sendo noticiado em outros estados do país em anos anteriores.

    Se verificou que, apesar de haver indícios de que a ocorrência policial realmente aconteceu, aparentemente o fato poderia ter ocorrido, portanto, em outro estado, não na Paraíba. Restava ainda confirmar se a história era real ou também fruto de desinformação, ainda que em outro estado.

    Matérias jornalísticas de portais de notícias baianos apontavam que o caso havia sido registrado no Estado da Bahia, onde a pessoa citada no alerta teria sido detida e ouvida pela polícia. Um dos registros jornalísticos exibiu uma entrevista com a delegada do caso e que discorreu sobre a prisão do motorista que cometia assaltos. Nesse ponto abriu-se uma nova frente de checagem: as polícias e sistemas de justiça.

    A equipe do Alumia procurou a Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (SSDS) para verificar se o caso ou outro semelhante havia sido registrado no estado e se teria envolvido a mesma pessoa ou, pelo menos, o mesmo automóvel. A Diretoria de Estatística da Polícia Civil informou que não havia, até aquela data da nossa checagem (dezembro de 2024) registro de ocorrência desse caso na Paraíba.

    Dados disponibilizados pelo Núcleo de Análise Criminal e Estatística (Nace), da Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba, mostram que, entre os períodos de 2019-2024, foram verificadas sete ocorrências policiais praticadas por “Profissionais Autônomos do Aplicativo Uber”, no estado. Mas usando os dados da pessoa citada na mensagem de alerta, nada foi encontrado sobre o caso.

    Na terceira etapa, um checador consultou a empresa Uber, a fim de verificar a procedência do caso.

    Outras etapas da investigação prosseguiram, com um checador do Alumia consultando fontes como o Departamento Estadual de Trânsito na Paraíba (Detran-PB).

    Confrontadas as fontes, conclui-se que o caso, na verdade, ocorreu em Salvador (BA), em 2023, e não em João Pessoa. Na internet há uma série de matérias jornalísticas sobre esse fato. A imprensa baiana cobriu o caso e acompanhou a prisão do acusado. Você pode conferir por aqui.

    Diante disso, o grupo de checadores do Alumia chegou a etiquetar o caso como “Confiável, mas”, que deve ser usada sempre que os dados mencionados estejam corretos, mas falte contexto ou detalhamento.

    Serviço

    Toda mulher que se sentir ameaçada ou for agredida, quer seja em um Uber ou em qualquer outra situação, pode ligar para o “Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher”, um programa que oferece ainda informações e auxílio a vítimas de violência.

    Texto de Ana Sarah Cordeiro, Deborah Nascimento e Janaína Barbosa