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  • Continua em cartaz o show de preconceitos em rádio da capital

    Continua em cartaz o show de preconceitos em rádio da capital

    O show de machismo e misoginia, com participação especial da homofobia, continua em cartaz em ‘E se fosse você?’, da Sucesso FM, emissora do Grupo Arapuan de Comunicação, de João Pessoa. Foi o que constatou equipe do Alumia ao retomar entre os dias 14 e 25 deste mês o monitoramento da principal atração da rádio, líder de audiência das 9 às 10h, horário do programa monitorado.

    A liderança da Sucesso FM ancorada no ‘E se fosse você?’ deve-se, em tese, à forma como a sintonia atrai e estimula considerável número de ouvintes a se manifestarem sobre histórias e situações constrangedoras, humilhantes até. Fictícios ou não, os relatos de dramas e dilemas apresentados induzem a manifestações preconceituosas contra mulheres e gays, principalmente.

    CADELA COMPARTILHADA

    No dia 14, ‘Vítor’, 29 anos, morador de João Pessoa, pediu conselhos sobre se devia ou não continuar namorando Meirinha, que divide com um ex a guarda da cadelinha Dandara. Disse que certa vez foi à casa da namorada e ‘pegou o cara’ dando banho na cachorrinha. “Ela jura de pé junto que não tem nada com ele, mas… Eu fui lá, e quem me atendeu foi ele, sem camisa, de shortinho fininho, daqueles de banho, todo molhado!”, relata o desconfiadíssimo namorado.

    “Ele tá torando a sua namorada”, “O cara tá dando banho em Dandara e na dona da Dandara e tome chifre” e “Esse pobi tá levando uma gaia tão grande”. Falas de vozes masculinas que ligaram para o programa. Uma mulher também participou para dizer que Meirinha é “muito é safada”. Mais homens telefonam. Um chama de ‘pilantra’ a namorada de Vítor, outro questiona porque o rapaz ainda está com a “sem vergonha”; um terceiro, sugere que Vítor procure outra, porque “essa daí é sem futuro”.

    A FILHA DO AMIGO

    Na história do dia 15, Vagner, 40 anos, desempregado, solteiro, arranja moto com um amigo para fazer transporte por aplicativo, de onde tiraria o próprio sustento e o da filha de seis anos. Em troca, teria que levar Rayana, 17 anos, todos os dias para uma faculdade. Levar e trazer de volta, evitando assim que a jovem pudesse ser assediada por motoristas ou motoboys outros, uberizados. Ela é filha de Gilberto, o amigo certo que socorreu Vagner na hora mais incerta.

    Não demorou, das idas e vindas das aulas da moça brotou um romance. Temendo que Gilberto descubra tudo, tome a moto e faça algo mais em nome da revolta e suposta traição, Vagner pergunta ao programa e ouvintes se deve contar tudo ao pai dela ou terminar o relacionamento. Diz ainda que Rayana, muito apaixonada, quer assumir e enfrentar toda e qualquer reação da família.

    O primeiro comentário vem do apresentador Alisson Cardoso, para quem “homem velho com mulher nova só dá em cangaia mesmo”. Opinião compartilhada pela maioria dos ouvintes que participam, aconselhando Vagner a terminar o namoro com Rayana, pois “a menina vai trair” o namorado mais cedo ou mais tarde e que o melhor a fazer é preservar a amizade com Gilberto.

    VENDEDOR DE PAÇOCA

    Dia 16 de julho. Marido conta que dedicou anos de sua vida à esposa, mas recentemente descobriu que estava sendo traído com o paçoqueiro do ônibus que eles pegavam todos os dias. “Ser trocado por um cara que vende paçocas?” — eis a maior indignação do homem. O homem traído revela que a esposa não sabe que ele descobriu a traição e pede ajuda para expulsá-la de casa sem que ela leve nada.

    O apresentador do ‘E se fosse você?’ abre um desfile de piadas chamando de ‘’corno da paçoca’’ o pretenso narrador da história. Logo um ouvinte liga para alertá-lo: ‘’Se você tá achando sua esposa diferente, fica vendo se ela não tá com calcinha nova no varal, se não tá se preocupando mais com depilação.’’ Já uma ouvinte infere que o marido tem culpa por não se cuidar, ser do tipo que “ainda por aí de calça desbotada, o tênis feio, e a mulher toda maquiada”.

    Outros não economizam no escracho. ‘’Para o cara ser trocado por um cara que vende paçoca, ele deve tá dando não só paçoca para ela mas outra coisa também”, observou um. ‘’Mulher é bicho nó cego, mesmo”, atalhou outro. “Se ficar com ela, além de ser corno paçoca, vai ser um otário”, previu uma. ‘’Se ela tá com ele, amou a paçoca dele’’, avaliou outra. “Ele tá paçocando”, arrematou outro homem.

    BOA NOITE, CINDERELA

    Eduardo, porteiro, 45 anos, recorreu ao ‘E se fosse você?’ do dia 17. Contou que quando mais jovem não pensava em relacionamento sério, tinha orgulho de ser solteiro, curtir a vida na boemia e até de pagar a alguém que lhe desse prazer. Certa noite, conheceu Janiele em um aplicativo de relacionamento. Encontraram-se, foram a um motel, onde sofreu o golpe conhecido como ‘Boa noite, Cinderela’, quando a vítima toma sem saber algo que faz adormecer e facilitar roubo ou furto.

    Depois do episódio, Eduardo resolveu mudar e mudou. Passou a frequentar uma igreja, onde começou a namorar Joana, uma das fiéis. Onde encontrou também ninguém menos que Janiele. A mesma Janiele que o teria furtado no motel e, pior, prima da namorada que pedira em orações. O dilema: conta tudo a Joana para, inclusive, reaver o que lhe foi tomado, ou segue em frente, sem sequer confrontar Janiele?

    A primeira pessoa que liga, uma mulher, recomenda ao autor da carta contar toda a verdade à namorada, mas desaconselha enfrentar Janiele, pois pode ser perigoso, porque ele não sabe com quem ela se relaciona. Outra alerta Eduardo para ter cuidado com as “boyzinhas”, comparando-as a Satanás.

    Um ouvinte, o sétimo na linha, aconselha Eduardo a “deixar pra lá”, porque “garotas de programa” seriam risco comum a todos os homens. O décimo-quarto a ligar diz para Eduardo ter cuidado até com a namorada, pois “as certinhas também podem ter seus gostos peculiares”, como gostar de “macaxeira”.

    GAROTA DE PROGRAMA

    No dia 21, Isadora, 23 anos, confessa em carta que é garota de programa apaixonada por Marcelo, um “cliente fixo” que a rejeitou de forma humilhante diante da declaração de amor da jovem. Ela pede conselhos para decidir se conta sobre o relacionamento à esposa dele.

    “Marcelo falou que jamais faria isso na vida dele, que eu não sou mulher decente e digna para ser apresentada assim ao público, para ser apresentada como namorada ou mulher, e que mulher decente e de verdade era a mulher dele”, narra Isadora, depois de informar que o seu cliente sempre falava mal da mulher com quem casara.

    “Perdi o amor, o cliente e fui tratada como lixo. Um verdadeiro entulho de lixo. Só que eu estou com vontade de contar tudo para a esposa dele. Eu tenho todas as conversas salvas e eu sei que sou uma garota de programa, que meu tratado com ele era sair, mas foi ele quem plantou essa semente de amor dentro do meu coração, pela forma como ele me tratava, como a gente tinha essa relação”, acrescenta.

    Antes de abrir o programa para ligações de ouvinte, o apresentador comenta que “mulher de fora faz todo tipo de safadeza que mulher de casa não faz”, reforçando o estereótipo de esposa “recatada, do lar”, enquanto mulheres como Isadora seriam a personificação da safadeza. “Mulher do job não beija na boca não, porque se apaixona””, complementa.

    Um ouvinte garante a Isadora que Marcelo jamais deixará a esposa “por alguém do job”, repetindo o termo usado pejorativamente por Cardoso para se referir ao ofício de quem escreveu para o programa. “Ele nunca vai deixar a mulher dele não, meu amor. Qual é a parte que você não entende? Todo homem que sai com alguém do job, ele não deixa a mulher dele pela menina do job não, viu?”, reforça quem ligou e falou coisas do tipo.

    Poucas pessoas que ligaram para o ‘E se fosse você?’ se compadecem de Isadora e se mostram compreensivos com o problema dela. Seguem a linha de que ele é o errado, não ela. Na sequência, porém, Alisson atende ao pedido de alguém que quer ouvir a canção ‘Rapariga Apaixonada’, interpretada por Edyr Vaqueiro, com versos que são um primor de grosseria e vulgaridade. Assim:

    Acabei de ser expulso da minha própria casa
    E o pior que eu tava errado e tive que aceitar
    Tudo por causa de um print de uma desgramada
    Que eu já pagava caro para não se apegar
    Foi só eu falar que eu não queria mais, que eu ia ser fiel
    pra minha mulher receber fotos e vídeos de amor num motel
    Destruiu a minha vida, destruiu a minha casa
    Olha o estrago que faz rapariga apaixonada

    MARIDO BEBEDOR

    No dia 22, um marido relata o fim do casamento “por uma besteira”. Sempre bebeu muito, diariamente, mas, após se tornar pai, diminuiu, garante. Mas não abre mão da cervejinha com os vizinhos. A esposa recriminava.

    Reclamações terminavam em briga. “A mulher não entende, não, é pau!”, resume ele, que mandou a esposa para a casa da sogra depois de uma dessas brigas. Com a mulher na casa da mãe dela, ele achou de comemorar.

    Convidou amigos para beber em sua casa. A mãe de um deles – “ boa, gostosa” – tomou todas e se exibiu, dançando e rebolando “até o chão”. A esposa soube do espetáculo; indignada, pediu separação. Meio arrependido, quer saber do programa se tenta (mais uma) reconciliação.

    Alguns comentários de ouvintes: ‘’…tem mulher que fica enchendo o saco do cara’’; “… casamento assim não tem futuro não’’; ‘’… tu é homem ou um saco de batata?”; “… deixa ela lá na casa da mãe dela (…) e já que a coroa é boa, cai pra dentro”; ‘’… para com essa cachaça!”; “… deve ter alguém rondando teu pasto e aí para ela não deixar de uma vez, pois tá querendo te colocar na rédea”.

    SEXUALIDADE EM DÚVIDA

    Renan, promotor de eventos, define-se como “entendido”. Assumidamente homossexual, trabalha com muitas mulheres. Já tendo namorado uma garota no passado, atualmente vê com frequência mulheres trocando de roupa na sua frente. Uma delas, Tamires, despertou-lhe desejos que julgava impossível sentir.

    O primeiro ouvinte diz que “se o sujeito ‘experimentar’ mulher”, nunca mais “queima a rosca”. Em seguida, uma ouvinte aconselha Renan a “correr atrás” de Tamires, porque ela teria conseguido, nele, “resetar as configurações de fábrica”. Outra, contudo, pondera que a mulher pode reagir negativamente, rejeitar e acabar amizade entre eles.

    Homens voltam a ligar para o programa, entre eles um que duvida da “reversão de orientação” e outro que acredita que Renan pode deixar de “jogar água fora da bacia”, como teria acontecido com um amigo homossexual que “virou homem de novo”. Um terceiro alerta maridos cujas mulheres convivem com gays e travestis.

    CONCLUSÃO ÓBVIA

    O programa ‘E se fosse você?”, da Sucesso FM de João Pessoa, reforça estereótipos e preconceitos. A maioria dos seus ouvintes carrega na homofobia, no machismo e na desinformação, inclusive tratando a pretensa reversão à heterossexualidade como um “retorno ao normal”.

    Em vez de promover debate ou acolhimento, lamentavelmente a emissora se oferece como espaço para disseminar ideias equivocadas sobre identidade e desejo. Pior: não há sinais de que a direção, produção ou locução da rádio compreenda que deve tratar a diversidade humana com responsabilidade e respeito

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    Apuração: Anna Athayde, Gean Santos, Janaína Barbosa, Lívia Trajano e Sabrina Farias

    Supervisão: Sônia Lima

  • Rádio da capital transmite show diário de preconceitos contra mulheres e gays

    Rádio da capital transmite show diário de preconceitos contra mulheres e gays

    Machismo, misoginia e homofobia, entre outros preconceitos, são reforçados diariamente na audiência da rádio Sucesso FM, de João Pessoa. Em seu programa ‘E se fosse você?’, que vai ao ar das 9 às 10h, de segunda a sábado, a emissora transmite o que um ouvinte eventual qualificou como “show de horrores, voltado, principalmente, para desqualificar a mulher e pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo”.

    O mesmo reclamante, denunciante, pediu ao Alumia monitoramento e avaliação do programa. A equipe de apuração encarregada de atender ao pedido constatou a procedência da reclamação, da denúncia, acompanhando ‘E se fosse você?” em dias alternados das duas primeiras semanas deste mês.

    No primeiro programa monitorado, do dia 4, o apresentador Alisson Cardoso narra a história do funileiro ‘Gilmar’, 36 anos, suposta vítima de importunação sexual cometida por ‘Júnior’, após bebedeira em casa. O pretenso importunado pede ajuda para resolver o dilema de explicar à mulher – ou não – porque não quer mais que ela mantenha amizade com a esposa do suposto importunador, que Gilmar tinha na conta de amigo.

    Na interação entre locutor e ouvintes, que participam com áudios e ligações, Júnior é exposto inicialmente como “mulherengo, desenrolado, pegador de mulheres, rocheda”. Depois da revelação de que teria tentado contato íntimo com Gilmar, Alisson informa: “Estão dizendo aqui que Júnior é Júnia (…) que não tem nenhuma ferramenta que demonstre que ele seja (…) fanta, coquinha”.

    ‘Pior parte da história’

    Característica do programa, toda narração começa com música suave ao fundo, secundada ou substituída adiante por sons de portas abrindo, passos, gargalhadas… Tudo repentinamente trocado por efeito sonoro de suspense, no exato momento em que o narrador anuncia que vai contar a “pior parte da história”. No caso do funileiro Gilmar, a ‘pior parte’ foi acordar “sentindo uma cosquinha na parada”, com Júnior lhe apalpando “as partes”.

    Concluída a narração da história pelo apresentador, a rádio põe ouvintes no ar para o restante da audiência ouvir pessoas chamando Juninho de Juninha, “boiolão”, “esse Juninho queima”, “queima mais que sol de meio-dia” e “vai queimar a rosca logo logo” ou “Júnior gosta é do picolé de carne, é de pegar no cabo da marreta” e “Júnior pula de marcha ré, ele é total flex”.

    Garçonete traída

    No dia 7, ‘Suelen’, garçonete de “restaurante bastante conhecido aqui de João Pessoa” perguntou se devia mostrar à família de seu ex-namorado que ele é gay, que acabou o namoro depois de perder o rapaz para ‘Leon’ em uma aposta. “Leon (colega de trabalho) tem fama de seduzir os garçons freelancer (…)” e “para provar que tem a fama de pegador, faz apostas (…)” e “toda aposta que ele faz, o peste ganha”, conta a protagonista.

    Na “pior parte dessa história”, a moça explica que seu namorado, ‘Gabriel’, arranjou emprego no mesmo restaurante em que ela e ‘Leon’ já trabalhavam. Por indicação dela, que preferiu manter em segredo um namoro já de nove meses. E, por confiar em ‘Gabriel’, apostou com ‘Leon’ que o ‘pegador’ da casa não pegava o garçom novato. Perdeu.

    “Eu vi fotos, eu vi vídeos, a combinação que eles fizeram através de áudios e mensagens e, pior, dizendo que passou a noite inteira com ele numa pousada”, relata. Diz ainda que ‘Leon’ mostrou tudo a ela e, ao saber de tudo, ficou plena de ódio, ansiosa “para desmoralizar Gabriel perante a família dele e da galera do restaurante”. Por fim, lamenta que o ex e o colega tenham se adorado e “agora estão juntos”.

    Encerrada a contação, o apresentador recrimina a autoconfiança da mulher, diz que ela confiava demais nela mesma, tanto que jamais admitiria ser trocada por “outro”. Em seguida, como quem está olhando foto de Suelen, Alisson exalta atributos físicos da mulher: “Que morena da ‘bixiga’, que galeguinha linda, que bicha gostosa”.

    Depois de sua análise, Alisson Cardoso questiona os ouvintes. “E se fosse você?”. Imediatamente, a sintonia é tomada por falas como “deixa esse viado ser feliz com outro”, “esse seu namorado é biba” e “Gabriel virava Gabriela”, entre outras frases típicas que tentam normalizar como ‘engraçadas’ situações semelhantes. Fechando, uma trilha sonora traz canções como ‘Decide aí’, de Matheus e Cauan.

    Amante dispendiosa

    No programa do dia 9, homem casado trai esposa com Letícia, com quem decide terminar por estar desempregado, sem mais poder bancar despesas da amante com o seguro-desemprego que passou a receber após ser demitido. Findo o romance, sua primeira providência é encerrar a conta no mercadinho onde autorizava a moça a fazer feira. Doravante, disse ao dono do estabelecimento, não pagaria mais qualquer coisa comprada por Letícia.

    Faltou combinar, entretanto, com Ana Paula, filha do comerciante, que dias depois vendeu mais de mil reais fiado a Letícia. Cobrado, o cidadão recusa-se a pagar. “Ô, mocinho, ou você paga ou eu vou na casa da sua mulher cobrar lá na frente dela”, ameaça a cobradora. O prazo para quitar a dívida termina no final deste julho, informa o desesperado autor da história, que pateticamente recorre a quem compartilha seu infortúnio: “E agora, o que devo fazer?”.

    Nos comentários dos ouvintes, Letícia é tratada como “mulher da zona” e “aproveitadora”, enquanto seu ex-amante é aconselhado a pagar “para não criar uma ‘situação’ com sua esposa” e outro participante recomenda pagar e contar tudo à mulher, confissão que terminaria rimando com conciliação, segundo a expectativa de quem aconselhou desse modo.

    Uma babá sedutora

    “E se fosse você?” do dia 10 trouxe a história de Lucas, caminhoneiro, casado, pai de filho “planejado”. Ele e a esposa, trabalhadores, têm dificuldade de encontrar alguém para cuidar da criança. Situação que se complica quando repentinamente adoece a sogra, aos cuidados de quem o menino ficava. A mãe pede ajuda a uma sobrinha de 17 anos. A jovem aceita a função de babá, mas, na ausência da tia, tenta seduzir o tio afim.

    O apresentador acrescenta à sua narração opiniões nas quais a adolescente é chamada de “bicha gostosa do caramba”, que se comporta “daquele jeito”, mas é “gata, branquinha e de nariz empinado”, lamentando que ela só tenha 17 anos, idade “altamente problemática” para envolvimemnto com homem adulto. O radialista também observa que “meninas mais danadas são as mais fraquinhas”. Ouvintes complementam a avaliação com observações na linha “as moças de hoje em dia não respeitam ninguém”.

    Sobre a garota de 17 ‘aninhos’, um dos participantes, ‘Flávio’, vibra por imaginá-la “toda durinha” e “safada”. Já ‘Sandra’ liga para dizer que a mocinha sedutora merecia levar “surra bem dada”, enquanto ‘João’ sugere que melhor é contratar como babá alguma “baranga” (termo pejorativo para mulheres de mais idade).

    ‘Tânia’, do José Américo (bairro da zona sul da capital), ‘manda’ Lucas tomar “vergonha na cara” e contar logo à esposa sobre a sobrinha. Outro ouvinte, de nome inaudível, manifesta que o certo seria o caminhoneiro “tirar o olho da menina”, comparando-o ao jogador Hulk, que deixou a primeira mulher para se casar com uma sobrinha dela.

    Nas intervenções de ouvintes não faltou voz masculina exortando Lucas a mostrar “quem é que manda em casa”. Somente assim, poderia mandar a babá embora” sem dar a menor satisfação à esposa. Já Adriano, morador do bairro do Cristo (João Pessoa), vê tentações do demônio personificadas na história. Tentações que Milton, dos Bancários, outro bairro da capital, botou na conta de vestimentas “indecentes” que a jovem estaria usando.

    A “cachorrinha dele”

    A história contada no programa de 8 de julho veio de uma mulher de 27 anos, casada, preocupada com atitudes recentes do marido, que de repente teria ficado agressivo na cama, “com puxões de cabelo e palavras estranhas”. Já quando ela tomava iniciativa, ele se mostrava desinteressado, frio, distante. Diante da mudança de comportamento, ela aproveitou férias no seu trabalho para investigar. No histórico do companheiro na Internet, descobriu inúmeros acessos em sites que vendem ou exibem os chamados ‘conteúdos adultos’.

    “Meu marido está viciado em vídeos pornográficos. E essa é a pior parte dessa história. Tem vídeo de todo jeito e de várias formas — mulher com mulher, homem com duas mulheres, mulher sendo macho, tinha até uns lá onde o tema do vídeo é ‘corno vendo mulher com outro’. Será que meu marido tem essas fantasias?”, indagou. Resolveu questionar o marido, que culpou a esposa, queixando-se que ela trabalhava demais e assim tinha pouco tempo para satisfazê-lo.

    Ao relatar o drama aos ouvintes, o apresentador afirmou que ‘’toda mulher já reclama muito do tempo do parceiro”, avaliando também que ‘’o homem se anima pelo que vê; já a mulher, se anima (sic) pelo que sente”. Opinião similar a de outro homem que considerou a atitude do marido “normal”, pois todo casado buscaria estímulos ou experiências fora do casamento, “quando a mulher não quer fazer coisas diferentes”.

    Um outro participante sugeriu à mulher “arrumar um amigo” para ficar com ela e o marido. “O fetiche dele é ver você com outro cara, aí depois você arruma uma amiga sua e mete no meio também, todo mundo se diverte”, completou. Em direção oposta, um terceiro ligou para a Sucesso para dizer que o marido da história precisa mesmo é de um terapeuta, considerando ainda que a mulher deve realmente dar mais atenção ao companheiro.

    ‘’Ela tem que tentar fazer diferente (…) ser mais aberta, tentar fazer os gostos dele”, defendeu um quarto membro do predomínio masculino que interagiu com Alisson naquela edição do programa. O caso abordado não deixou de inspirar até mesmo uma recorrente analogia com o futebol, lembrada por alguém que pareceu ser ‘do ramo’: ‘’Treino é treino e jogo é jogo. Ele só ta querendo apimentar a rotina”.

    O comentário de homem mais constrangedor e depreciativo viria, todavia, no final das ligações: “O problema é que um tempo depois que casa a mulher parece a mãe do cara, faz sexo sem ter vontade, reclama de tudo e aí o marido quer inovar”. A mesma pessoa concluiu fazendo a seguinte recomendação: “Vai pra uma depilação, deixa a boquinha de bebê limpinha e cheirosinha pra ele acabar com você, pois você não é mãe dele e dentro das quatro paredes você é cachorrinha dele”.

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    Pesquisas mais recentes da empresa Kantar Ibope Media colocam a Sucesso FM (92.2) entre três rádios mais ouvidas de João Pessoa. O programa ‘E se fosse você’ é o de maior audiência da emissora, que integra o Grupo Arapuan de Comunicação.

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    Equipe responsável por esta apuração: Anna Athayde, Gean Santos, Janaina Barbosa, Lívia Trajano e Sabrina Farias

    Supervisão: Sônia Lima

  • Negacionista usa morte de Preta Gil para atacar vacinas

    Negacionista usa morte de Preta Gil para atacar vacinas

    Com termos supostamente científicos, fazendo propaganda flagrantemente negacionista, homem identificado como João Bittencourt (foto) aparece em vídeo no qual atribui a morte da cantora Preta Gil às vacinas que ela teria tomado.

    Usuário do perfil titosantos6512 no TikTok, o vídeo contra as vacinas começou a circular na noite de domingo (21), logo após o anúncio da morte da artista, de 50 anos, que fazia tratamento experimental contra câncer nos Estados Unidos.

    Cópia do vídeo, recebida por membro do Alumia, veio com alerta do remetente de que o conteúdo da gravação seria replicado por mais de 270 mil seguidores do autor, para quem Preta morreu porque “tomou todas as doses da picadinha”.

    “Dentro dessas picadinhas, existem três substâncias: a luciferina, o grafeno e a spike (…) Que, quando entra na tua corrente sanguínea, ela começa coagulando teu sangue, ocasionando parada cardíaca, trombose e AVC (acidente vascular cerebral)”, diz o pretenso influenciador.

    Na sequência, João garante que a ‘picadinha’ mata células “boas” e ativa células “cancerígenas”, induzindo quem o assiste a acreditar que vacinas baixam imunidade e deixam a pessoa exposta a doenças como as contraídas por Preta Gil.

    João Bittencourt ainda prevê que até 2030 “você vai ver muita gente morrendo de doenças do coração, AVC, câncer e Aids”. Por culpa das vacinas, como “arma biológica” de um sistema que projeta reduzir à metade a população mundial.

    O Alumia vasculhou na Internet – e não encontrou – qualquer notícia confiável ou informação científica que vincule a qualquer vacina o agravamento da saúde de Preta, que em vida sempre defendeu as campanhas de vacinação.

    ESCLARECENDO SOBRE AS ‘SUBSTÂNCIAS’

    Luciferina é molécula da bioluminescência, que “acende” os vaga-lumes. Grafeno vem do carbono e é excelente condutor de eletricidade. Spike é proteína que os cientistas dominam e usam nas vacinas para preparar o organismo humano a se proteger contra o vírus da Covid.

    “É falso afirmar que a proteína spike é produzida permanentemente após a vacinação. O RNA usado nas vacinas é uma molécula instável e se degrada rapidamente, geralmente em torno de 30 dias, conforme evidenciado por estudos. Assim, o corpo tende a produzir a proteína spike neste período, o que é suficiente para treinar o sistema imunológico”, explica o Ministério da Saúde.

    O órgão esclarece ainda: “Alegações de que a proteína spike das vacinas causa danos ao corpo não têm base científica (…) As vacinas utilizadas pelo Programa Nacional de Vacinação contra a covid-19 foram aprovadas pela OMS e passam por rigorosos testes antes de serem liberadas ao público”.

    Além disso, as vacinas aplicadas no Brasil contra a covid foram aprovadas pelas principais agências reguladoras do mundo, como a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, “com base em dados robustos que comprovam sua segurança e eficácia”.

    SEM POSTAGEM DO VÍDEO

    A Coordenação do Alumia decidiu não repostar o vídeo antivacina produzido e distribuído por João Bittencourt, considerando o engajamento nocivo e a desinformação que pode causar.

  • Mulheres e crianças são alvos de ataques no TikTok

    Mulheres e crianças são alvos de ataques no TikTok

    Durante jantar oferecido ao presidente Lula e comitiva no dia 12 de maio deste ano, em Pequim, Janja queixou-se de conteúdos do TikTok a Xi Jinping. Disse ao mandatário anfitrião que no Brasil a rede social chinesa divulga ataques a crianças e mulheres. O Alumia checou se tem fundamento a denúncia da primeira-dama do Brasil. Checou e constatou. Veja como e porque.

    O QUE É, COMO É

    TikTok é uma plataforma de mídia social que permite ao usuário criar, compartilhar e descobrir vídeos curtos, geralmente com música de fundo. Lançado em 2016, o aplicativo chinês rapidamente se tornou popular em todo o mundo, especialmente entre os jovens, devido à sua interface intuitiva e ao algoritmo que promove conteúdo de forma altamente personalizada.

    Segundo dados do DataReportal em janeiro de 2025, o aplicativo teria cerca de 91,7 milhões de usuários ativos no Brasil, sendo 47% do público feminino e 53%, do masculino. Esses números fazem parte de publicidade do TikTok. Podem não ser representativos de uma base real, portanto.

    Monitoramento divulgado pela revista Azmina em parceria com o Núcleo de Jornalismo mostra como o TikTok contribui para a disseminação de misoginia entre adolescentes brasileiros. O algoritmo da plataforma expõe os usuários a conteúdos misóginos de forma gradual, reforçando estereótipos de gênero e normalizando a desvalorização das mulheres.

    A pesquisa revelou que, ao interagir com vídeos de perfis conservadores, os adolescentes assimilam ideias que promovem a desigualdade de gênero. Apesar das políticas de proteção do TikTok, a plataforma falha em bloquear conteúdos nocivos, que se tornam cada vez mais frequentes entre os jovens.

    O monitoramento de perfis fictícios no TikTok mostrou que, inicialmente, os adolescentes eram expostos a conteúdos inofensivos, mas logo passaram a receber vídeos que promovem misoginia. A influência desses conteúdos é preocupante, pois molda a visão de mundo dos jovens, levando a comportamentos hostis e desrespeitosos em relação às mulheres.

    AUTOMUTILAÇÃO E SUICÍDIO

    Relatório publicado em 2023 pela Amnistia Internacional, intitulado “Driven into Darkness: How TikTok’s ‘For You’ Feed Encourages Self-Harm and Suicidal Ideation” (“Levado à escuridão: como o feed ‘Para você’ do TikTok incentiva a automutilação e a ideação suicida”), analisa como o algoritmo do TikTok, especialmente sua página “For You”, pode incentivar comportamentos autodestrutivos.

    Amnistia conclui que, ao interagir com conteúdos relacionados à saúde mental, os usuários são frequentemente levados a “buracos de coelho” que amplificam vídeos que romantizam a depressão e o suicídio.

    A investigação também incluiu a criação de contas automatizadas que simularam o comportamento de adolescentes, revelando que, após algumas horas de uso, quase metade dos vídeos recomendados era potencialmente prejudiciais.

    CRIANÇA ACESSA SEM CADASTRO

    A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu um processo sancionador contra o TikTok para investigar possíveis usos irregulares de dados de crianças e adolescentes.

    A investigação foca no recurso “feed sem cadastro”, que permite acesso à plataforma sem login. A idade mínima para ter uma conta no TikTok, de acordo com as políticas da rede, é de 13 anos. Mesmo assim, ainda é possível ter acesso aos conteúdos da plataforma sem a necessidade de login por meio do recurso “feed sem cadastro”.

    De acordo com a ANPD, esse mecanismo “escancara o acesso de crianças à plataforma, mesmo após serem barradas na verificação de idade, permitindo que continuem a navegar sem cadastro”.

    A ANPD identificou indícios de violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente no princípio do melhor interesse de crianças e adolescentes. Também foram constatadas falhas nos mecanismos de verificação de idade e tratamento de dados.

    COMO DEVEM AGIR OS PAIS

    A psicóloga Lenita Faissal entende que a questão das telas e redes sociais não deve ser reduzida a ser ou não ser prejudicial. Lembra que como qualquer instrumento acessível a crianças e adolescentes, exige acompanhamento de pais, escola e instituições sociais.

    Além disso, complementa, é essencial que órgãos fiscalizadores implementem políticas de controle. Também é importante considerar a frequência e tempo de exposição, pois o uso excessivo pode afastá-los de interações sociais presenciais e atividades fundamentais, como brincar ao ar livre e a construção de valores morais e éticos a partir da convivência social presencial.

  • Supermercado da capital avisa quando produto está perto de vencer?

    Supermercado da capital avisa quando produto está perto de vencer?

    Alumia encontrou até produto vencido quando, entre os dias 1º e 7 de maio passado, equipe de apuração do Laboratório foi a supermercados de três redes do segmento que operam na capital.

    A apuração destinou-se a verificar se esses estabelecimentos alertam corretamente o consumidor quando gêneros alimentícios, especialmente perecíveis, estão próximos de perder a validade.

    Alertar a clientela sobre validade dos produtos é providência básica de atenção à saúde dos clientes e respeito às normas do Código de Defesa do Consumidor. Acompanhe o resultado da checagem em cada loja.

    Mateus – Visitado em dois dias distintos, no primeiro (1º de maio) uma prateleira da loja do Mateus Altiplano oferecia pacotes de 150g de mussarela Polenghi a vencer no dia 5. Sem qualquer aviso de que o queijo perderia a validade quatro dias depois.

    Noutro equipamento, refrigerado, a manteiga Vidaveg de 170g venceria cinco dias depois. Nesse produto, o prazo de validade estava gravado no fundo do pote. Na mesma data, foi encontrado hambúrguer bovino já vencido (em 30 de abril último).

    No retorno ao Mateus no dia 5 de maio, o Alumiu encontrou dois pequenos cartazes que informavam correta e antecipadamente a validade próxima de expirar de dois produtos, o biscoito Oreo recheado sabor chocolate de 144g, a vencer segunda-feira (12), e o achocolatado Pira Kids de um litro, com vencimento previsto para o dia 23 do mês.

    Bem Mais – Na unidade da Rua Rosa Lima dos Santos, no Jardim Cidade Universitária, o supermercado expunha de forma mais adequada, no dia 5 daquele mês, a data de validade próxima de vencimento de produtos que coloca em promoção.

    Naquela loja, logo na entrada, colado de forma razoavelmente visível em coluna do prédio, a clientela depara-se com um cartaz abaixo do qual vários itens à venda contêm avisos de que podem ser comprados e consumidos em prazo razoável de armazenamento doméstico.

    Carrefour – Na loja do Jardim São Paulo, visitada no dia 7 de maio, produtos em promoção com vencimento próximo (menos de 30 dias) são separados dos demais, colocados em uma prateleira especial e identificados cada um com um pequeno cartaz onde se informa a data de validade.

    ***

    Equipe do Alumia entrou em contato com a Vigilância Sanitária municipal. Não conseguiu falar com qualquer dirigente do órgão. Por telefone, obteve de um(a) funcionário(a) a informação segundo a qual o órgão somente investiga algo se receber denúncia. Não faz, portanto, inspeções regulares em supermercados e congêneres que supostamente vendam alimentos estragados ou em vias de.

    Já no Procon estadual, a superintendente Késsia Liliane explicou que se o produto não estiver em promoção o supermercado não precisa expor placa avisando sobre a validade.

  • Remédio vencido nos olhos dos outros é refresco?

    Remédio vencido nos olhos dos outros é refresco?

    Promovido pelo Governo do Estado, com procedimentos contratados a uma fundação privada de Campina Grande, um mutirão oftalmológico realizado no dia 15 de maio deste ano no Hospital das Clínicas, naquela cidade, resultou em danos aos olhos e suposta perda de visão de alguns pacientes atendidos.

    O Alumia investigou a cobertura jornalística do caso. Constatou que até o final de maio a imprensa paraibana não havia informado com exatidão quantos realmente teriam ficado ‘cegos’, quantos foram prejudicados e o nível de gravidade que afetou a saúde ocular de cada um que recorreu ao mutirão.

    Como se fosse pouco, o fato praticamente sumiu do noticiário após ser noticiado e comentado intensamente entre 16 e 22 de maio. A única atualização encontrada pelo Alumia veio a público quinta-feira (29), sobre o inquérito instaurado pela Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba.

    O resultado da investigação policial deve ser divulgado em breve, espera-se. Mas uma investigação jornalística poderia já ter desvendado e se antecipado na revelação de detalhes relevantes sobre o mutirão, a exemplo da suposta medicação vencida aplicada pela entidade contratada.

    Apenas três casos de perda de visão temporária foram relatados, entre os quais o da pedagoga Errta Rianny, internada no dia 20 de maio no Hospital Metropolitano de Santa Rita. Diz ter usado colírio que venceu em janeiro deste ano e lhe foi prescrito após ser atendida no mutirão campinense.

    Foto do colírio exposto pela pedagoga foi publicada pelo G1PB na sexta-feira (30), mas não aparece o nome do medicamento nem o da empresa que o fabricou. E de qualquer modo continua em mistério o medicamento supostamente vencido aplicado durante os procedimentos no hospital campinense.

    Da mesma forma, porque as matérias jornalísticas sobre o caso nada trouxeram até aqui, também são desconhecidas a identidade, a origem e a responsabilidade pela aplicação do fármaco que causou tantas dores e transtornos a um número de pessoas igualmente indeterminado e indefinido.

    Talvez o público já soubesse de tais informações se o jornalismo que cuidou do mutirão oftalmológico denunciado tivesse questionado devidamente as partes diretamente envolvidas: Secretaria de Estado da Saúde (SES), Fundação Rubens Dutra Segundo (contratada pela SES) e Hospital das Clínicas.

    Outras fontes que poderiam ser consultadas, com legitimidade para informar, esclarecer e orientar: Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) e Sociedade Paraibana de Oftalmologia (SPO).
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    Sites jornalísticos averiguados pelo Alumia nesta apuração: G1PB, Jornal da Paraíba, Portal Correio, Polêmica Paraíba, ClickPB e MaisPB

  • Caso do motorista de Uber que sequestra passageiras não ocorreu em João Pessoa

    Caso do motorista de Uber que sequestra passageiras não ocorreu em João Pessoa

    Em novembro de 2024, o Alumia recebeu pedido de checagem sobre uma mensagem que circulava nos grupos de WhatsApp de João Pessoa a respeito de um motorista de Uber que estaria sequestrando e extorquindo mulheres. 

    No card compartilhado nos grupos de WhatsApp, na capital paraibana, a mensagem apresenta a foto do motorista de Uber, de nome Silvino, e anuncia que ele estaria agindo em um carro ônix branco, de placa PBN 7D10.

    A mensagem apresentava um card com a placa do carro usado nos assaltos, o nome do suposto motorista que estaria praticando a violência, e até a fotografia de seu rosto.

    Para checar os dados, a equipe do Alumia fez pesquisas em páginas de notícias na internet. De cara, já foi encontrado o mesmo caso sendo noticiado em outros estados do país em anos anteriores.

    Se verificou que, apesar de haver indícios de que a ocorrência policial realmente aconteceu, aparentemente o fato poderia ter ocorrido, portanto, em outro estado, não na Paraíba. Restava ainda confirmar se a história era real ou também fruto de desinformação, ainda que em outro estado.

    Matérias jornalísticas de portais de notícias baianos apontavam que o caso havia sido registrado no Estado da Bahia, onde a pessoa citada no alerta teria sido detida e ouvida pela polícia. Um dos registros jornalísticos exibiu uma entrevista com a delegada do caso e que discorreu sobre a prisão do motorista que cometia assaltos. Nesse ponto abriu-se uma nova frente de checagem: as polícias e sistemas de justiça.

    A equipe do Alumia procurou a Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (SSDS) para verificar se o caso ou outro semelhante havia sido registrado no estado e se teria envolvido a mesma pessoa ou, pelo menos, o mesmo automóvel. A Diretoria de Estatística da Polícia Civil informou que não havia, até aquela data da nossa checagem (dezembro de 2024) registro de ocorrência desse caso na Paraíba.

    Dados disponibilizados pelo Núcleo de Análise Criminal e Estatística (Nace), da Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba, mostram que, entre os períodos de 2019-2024, foram verificadas sete ocorrências policiais praticadas por “Profissionais Autônomos do Aplicativo Uber”, no estado. Mas usando os dados da pessoa citada na mensagem de alerta, nada foi encontrado sobre o caso.

    Na terceira etapa, um checador consultou a empresa Uber, a fim de verificar a procedência do caso.

    Outras etapas da investigação prosseguiram, com um checador do Alumia consultando fontes como o Departamento Estadual de Trânsito na Paraíba (Detran-PB).

    Confrontadas as fontes, conclui-se que o caso, na verdade, ocorreu em Salvador (BA), em 2023, e não em João Pessoa. Na internet há uma série de matérias jornalísticas sobre esse fato. A imprensa baiana cobriu o caso e acompanhou a prisão do acusado. Você pode conferir por aqui.

    Diante disso, o grupo de checadores do Alumia chegou a etiquetar o caso como “Confiável, mas”, que deve ser usada sempre que os dados mencionados estejam corretos, mas falte contexto ou detalhamento.

    Serviço

    Toda mulher que se sentir ameaçada ou for agredida, quer seja em um Uber ou em qualquer outra situação, pode ligar para o “Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher”, um programa que oferece ainda informações e auxílio a vítimas de violência.

    Texto de Ana Sarah Cordeiro, Deborah Nascimento e Janaína Barbosa