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  • Pais afrouxam controle e deixam filho menor vulnerável na Internet

    Pais afrouxam controle e deixam filho menor vulnerável na Internet

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 2023 que mais de 84 por cento das crianças e adolescentes de 10 a 13 anos de idade utilizaram a Internet no Brasil naquele ano.

    O Google revelou, também ano retrasado, que a partir de quando as crianças completam 10 anos pelo menos 17% dos pais que exercem algum controle de acesso afrouxam a vigilância digital sobre filhos menores.

    Esses dados reforçam a necessidade de medidas urgentes por uma navegação segura e saudável de crianças e adolescentes na rede mundial de computadores. Especialmente para meninos e meninas que buscam mais intensamente – cada vez mais livremente – virais potencialmente danosos.

    Recentemente, o tema ganhou ainda mais atenção com o caso do influenciador Hytalo Santos, envolvido em denúncias que reacenderam o debate sobre a “adultização” das crianças — um fenômeno que diz respeito à exposição precoce ao universo adulto e às consequências desse contato prematuro com conteúdos inadequados.

    Para entender como essa realidade impacta o dia a dia das famílias, o Alumia apurou como pais e responsáveis têm enfrentado essa questão. Para tanto, cada membro da equipe de apuração entrevistou três famílias de perfis socioeconômicos distintos, preservando suas identidades por meio de nomes fictícios.

    As entrevistas revelaram diversidade nas formas de lidar com o uso da tecnologia e o acesso a conteúdos impróprios, além de apontar diferentes níveis de conhecimento e acesso a ferramentas de controle parental.

    As experiências dessas famílias expuseram também, em muitos casos, despreparo de pais para proteger filhos na era digital, cenário que demanda leis e políticas públicas eficazes de combate aos crimes praticados contra crianças e adolescentes no ambiente virtual.

    Realidade simples, desafios gigantes

    Maria, de 32 anos, mora em Santa Rita, na Paraíba, com seus dois filhos: João Pedro, de 8 anos, e Ana Luzia, de 6. Separada, cria os filhos sozinha e trabalha como atendente numa lanchonete. Com uma renda que mal chega a um salário mínimo, ela conta com a ajuda eventual do pai das crianças.

    “Aqui em casa só tem meu celular. Eles usam às vezes para jogar ou ver vídeos no YouTube Kids. Tento ficar de olho sempre, mas é difícil quando chego cansada do trabalho”, relata. Apesar de saber da existência de aplicativos que controlam o acesso a conteúdos inadequados, Maria admite que não conseguiria utilizá-los.

    “Me interesso em aprender, mas não sei nem por onde começar”, declarou, demonstrando preocupação com conteúdos adultos na Internet. “Já cliquei num link sem querer e apareceu coisa que nem era pra estar ali. Fico com medo que isso chegue até eles”, relatou.
    Sobre nova lei em vias de ser aprovada no Congresso Nacional para combater crimes digitais contra crianças e adolescentes, Maria não tinha conhecimento, mas se mostra esperançosa: “Se tiver uma lei que ajude a proteger mais, eu apoio demais”.

    Pais jovens, pouco acesso à informação

    Na cidade do Conde, também na Paraíba, uma jovem mãe de 23 anos divide a responsabilidade da criação de dois filhos (5 e 2 anos) com o pai das crianças, de 26 anos. Ambos vivem em cidades diferentes e, juntos, sustentam os filhos com uma renda familiar de até três salários mínimos.

    As crianças estudam em escola particular e têm acesso a um tablet. No entanto, os pais não conhecem ferramentas de controle de conteúdo digital. “A gente nunca usou aplicativos pra bloquear nada. Eles só veem vídeos ou jogam, mas não sabemos como impedir que acessem algo perigoso”, admite a mãe.

    Questionada se já ouvira falar sobre conteúdos ameaçadores, mencionou o Discord como exemplo de ambiente virtual utilizado por cibercriminosos que têm crianças como alvo. Diz ter visto uma reportagem sobre a plataforma, anos atrás. Quando perguntada sobre o polêmico caso Felca x Hytalo, respondeu:

    – Felca fez um vídeo falando que o Hytalo tava sexualizando crianças nas redes. A coisa repercutiu tanto que o Hytalo acabou sendo preso por exploração sexual infantil e até tráfico de pessoas.

    Supervisão presente e ativa

    Já em Tubarão, Santa Catarina, um casal que há um ano migrou da Paraíba para aquele estado tem uma filha de 8 anos que não possui dispositivos próprios, apenas usa eletrônicos dos pais, mas com tempo limitado e supervisão constante.

    Com formação superior e renda de 4 a 6 salários mínimos, o casal adota abordagem mais consciente no uso da tecnologia pela menina. “Ela não acessa redes sociais nem jogos online”, garante a mãe, da mesma idade (31 anos) do marido, que também buscas outras maneiras de controle para além das ferramentas disponíveis.

    “Acreditamos que não dá pra confiar só em algoritmos, daí ser fundamental uma supervisão ativa”, complementou o pai.

    Confiança na filha de 15 anos

    Em Tambaú, capital, uma garota de 15 anos, aluna de colégio particular, tem e acessa livremente endereços diversos da Internet no computador e no celular. Ela é filha de um mãe de 45 anos, com formação superior, e de um pai de 50 anos, morador do Jardim Luna, outro bairro de João Pessoa.

    Com renda em torno dos R$ 15 mil, nessa família o controle do acesso da adolescente a conteúdos impróprios jamais foi exercido. Os pais da menina conhecem, mas nunca utilizaram programas ou aplicativos para tanto. Optaram por confiar no bom senso e responsabilidade da filha.

    Em Cabedelo (PB), o Alumia entrevistou casal que tem uma filha de 17 anos e um filho de 25. A mãe, 42 anos, tem curso superior completo; o pai, de 45, doutorado. Família com renda de 15 mil reais por mês.

    A adolescente estuda em colégio particular; o rapaz, não estuda nem trabalha, mas tem celular e computador e a jovem, apenas celular. O casal conhece e usou aplicativos de controle parental, como o Family link, quando os filhos eram pequenos.

    Sobre consequências e desdobramentos da denúncia do youtuber Felca contra o influenciador paraibano Hytalo, disseram que não tinham conhecimento, mas vão se informar melhor. Principalmente sobre o projeto que, uma vez aprovado pelo Congresso Nacional, pode aumentar a proteção a crianças e adolescentes na Internet.

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    Apuração e texto: Gean Santos e Lara Couras

  • Família de baixa renda não controla acesso de filho menor à Internet

    Família de baixa renda não controla acesso de filho menor à Internet

    A preocupação com o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos impróprios na Internet é realidade presente entre famílias residentes na Paraíba. A forma de lidar com a situação varia, contudo.

    Mesmo em família de renda média (acima de sete salários mínimos e abaixo de vinte) e pais com pós-graduação, a vigilância digital é feita de diferentes maneiras. Enquanto uns utilizam ferramentas de controle parental, outros desconhecem completamente a existência de aplicativos com tal finalidade.

    De outro lado, apesar da popularidade do caso Felca versus Hytalo, que trouxe à tona a exploração de crianças no ambiente digital, a maioria dos entrevistados admitiu não ter conhecimento sobre o Projeto de Lei 2628/2022, em vias de ser aprovado no Congresso para, justamente, ampliar o controle dos pais.

    Camila, mãe de um menino de 10 anos, e Patrícia, que tem dois filhos, um de 6 e outro de 10 anos, ambas moradoras de João Pessoa, refletem realidades semelhantes na proteção digital de seus filhos.

    Embora residam em bairros de classe média alta e tenham pais com formação acadêmica de nível superior, o controle parental das duas mulheres não é uniforme. Patrícia utiliza o Google Family. Camila bloqueia e-mail e usa aplicativos para monitorar acesso do filho.

    Por sua vez, Paula, residente no bairro do Aeroclube, na capital, tem renda modesta, mãe com ensino superior incompleto e um filho de quatro anos que, por enquanto, não manuseia qualquer aparelho eletrônico conectado à Internet.

    Paula e o pai da criança admitem que não saberiam como evitar um acesso desprotegido por parte do menino, se o garoto estivesse hoje com mais idade e tentasse entrar em sites como Xvídeo e Privace, que os pais admitem conhecer.

    José, 34 anos, ensino médio completo e renda de um salário mínimo, do interior da Paraíba, tem filho de 13 anos em colégio público. O menino não possui celular, computador ou tablet próprio. Se tivesse, ainda assim esse pai também não saberia o que fazer para controlar o acesso do garoto a conteúdos impróprios para a idade.

    O entrevistado afirmou, todavia, ter visto no noticiário de tevê que a Câmara dos Deputados aprovou lei de combate a crimes em ambientes virtuais (referia-se ao projeto de lei 2628/2022). Já em relação ao caso do influenciador paraibano Hytalo Santos, preso sob acusação de explorar imagens sensuais de crianças e adolescentes, disse ter apenas conhecimento superficial sobre o assunto.

    Um casal com um filho de seis anos e outro com 19, residente em Santa Rita, também foi entrevistado. A mãe, 40 anos; o pai, 48. Ela possui ensino superior completo; ele, ensino médio incompleto. O filho mais novo estuda em colégio particular, o mais velho não estuda. A renda da família é de três salários mínimos. Ambos os filhos possuem acesso a computador e celular desde muito novos.

    O casal de Santa Rita não usa nem sabe de programas que poderiam barrar o acesso do filho mais novo a fotografias e vídeos com imagens não recomendáveis para uma criança. Já ouviu falar ou viu algo sobre abusos na Internet, mas não sabe citar em qual plataforma, site ou perfil.

    Outro casal com dois filhos, um menino de 5 anos e uma menina de 16, mora em Bayeux. A mãe, de 38 anos, e o pai, 36, ambos com ensino médio completo. O garoto e a adolescente estudam em colégio público. A renda da família é de dois salários mínimos. A filha mais velha possui celular e computador próprios; o mais novo, não.

    Os pais não usam nem sabem como fazer para vetar pornografia nas telas domésticas. Ao mesmo tempo, o histórico de navegação de ambos na Internet não despertaria, em tese, a curiosidade dos filhos. O casal não tem conhecimento pessoal de portais ou plataformas de exibição de conteúdo adulto, muito menos de endereços na web com viés de exploração sexual infantil.

    Uma pesquisa da Nielsen encomendada pelo Google em 2023 mostrou que apenas 17 por cento dos pais brasileiros conhecem e utilizam ferramentas adequadas de vigilância digital sobre os filhos menores. A Nielsen é uma empresa germânico-estadunidense de informação e dados.

    O mesmo levantamento apurou algo ainda mais preocupante: a partir dos 10 anos de idade, quando as crianças intensificam presença na Internet, os mesmos pais afrouxam o controle sobre elas.

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    Apuração e texto: Ana Sarah e Gabriel Fernandes

  • Alumia apura se pais controlam acesso de filhos menores a conteúdos adultos na Internet

    Alumia apura se pais controlam acesso de filhos menores a conteúdos adultos na Internet

    O acontecimento recente envolvendo o vídeo viralizado do influenciador Felipe Bressanin, mais conhecido como Felca nas redes sociais, trouxe ao público discussões sobre como proteger crianças e adolescentes de conteúdos impróprios e exploração no ambiente virtual.

    O vídeo em que Felca denuncia outro influenciador, o paraibano Hytalo Santos, despertou o alerta em diversas famílias brasileiras. Para saber como as famílias têm lidado com a situação e as informações que vão surgindo, entramos em contato com pais e mães da Grande João Pessoa.

    Residente no bairro dos Bancários, na capital, com uma filha de 15 anos e um caçula de 10, casal afirma que a tecnologia faz parte do cotidiano de ambos, mas a preocupação maior sempre foi garantir um uso seguro da Internet, desde o início.

    Nessa família, os pais recorreram ao Family Link, aplicativo do Google que permite monitorar e restringir conteúdos inadequados. “A gente conhece e usa os recursos para barrar acesso a conteúdos pornográficos, violentos ou que incentivem automutilação”, garante a mãe.

    Outra mãe, esta ‘solo’, moradora de Jaguaribe, conta que por mais que tenha impedido o acesso de seu filho de 9 anos às redes sociais, a pressão pelo fato de os colegas da escola já terem celulares e tablets fez com que ela cedesse ao desejo do filho, mas com horários limitados e sempre no aparelho dela e da avó do menino.

    A recém descoberta do Family Link pela jovem de 32 anos veio através da mãe de um colega. Segundo ela, a partir do uso da ferramenta disponível na web, o monitoramento na questão dos horários em que o filho poderia ter o acesso ao mundo online ficaram muito melhores.

    Um casal de professores, moradores de Mangabeira, pais de uma pré-adolescente de 12 anos, relata que a maior preocupação é o aliciamento online. O pai, de 43 anos, pontua: “Não é exagero estar sempre atento, a Internet é muito perigosa se a gente não estiver junto”.

    Tanto ele quanto a sua companheira conversam com a filha sobre os riscos do meio digital, mas não deixam de se preocupar e ficar atentos ao cotidiano da garota.

    Todos os entrevistados tinham conhecimento da importância do monitoramento quando se trata de deixar os filhos sozinhos com aparelhos digitais e acreditam que o caso Felca versus Hytalo é algo real e deve ser motivo de muita atenção e preocupação.

    Os acontecimentos recentes mostram como a chamada adultização da infância não é uma realidade distante e todos os adultos deveriam prestar muita atenção no tipo de conteúdo consumido por suas crianças.

    A busca das famílias por equilíbrio, nessa questão, está presente em quase todos os lares das pessoas entrevistadas pelo Alumia, mas os depoimentos colhidos nessa checagem mostram que esse é um chão a ser pisado com bastante cautela. Especialmente quando se tenta monitorar e controlar acessos na Internet de modo a garantir proteção aos filhos.

    Sem esses cuidados e providências, presumível que toda a população infantojuvenil fique exposta e vulnerável a conteúdos danosos ao seu desenvolvimento físico e intelectual.

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    Apuração e texto de abertura: Ana Athayde

  • Falta de acessibilidade é regra em prédios públicos da capital

    Falta de acessibilidade é regra em prédios públicos da capital

    De 18 a 24 deste mês de agosto, o Alumia saiu às ruas da capital para avaliar acessibilidade em órgãos públicos. A falta de piso tátil e de rampas suficientes para toda a extensão das calçadas são problemas comuns a escolas, postos de saúde, mercados, cemitérios e repartições do Poder Judiciário sediadas em João Pessoa.

    Foram visitadas órgãos municipais e estaduais em Tambaú, Altiplano, Manaíra, Jaguaribe, Cristo, Bessa, Colibris e Bairro dos Estados. No Mercado Público de Tambaú (Avenida Ruy Carneiro com a Rua Coração de Jesus, foto abaixo), por exemplo, a acessibilidade é difícil até para pedestres sem mobilidade restrita.


    O prédio tem calçadas estreitas em três níveis de degrau. Cadeirante que se desloca pela Ruy Carneiro só acessa a feira local se usar o piso rebaixado de uma loja vizinha ao mercado. O que vier pela Coração de Jesus vai encontrar uma pequena rampa, mas terá dificuldades para superar os batentes.

    A equipe do Alumia visitou também o Mercado de Artesanato de Tambaú. Piso tátil? Apenas na entrada de agência da Caixa Econômica, no térreo. Rampas? Cinco: três na frente, na Ruy Carneiro, uma na Avenida Navegantes com a Rua Isidro Gomes e outra na Isidro com a Avenida Maria Sales.

    Em Manaíra, a Escola Seráfico da Nóbrega ocupa quase um quarteirão na Avenida Ubirajara Targino Botto com as ruas Lupércio Branco e Coronel Severino Lucena. Tem apenas uma rampa de acesso ao portão de entrada e nenhum piso tátil em todas as calçadas do entorno do educandário.

    No Altiplano, prédios da Justiça são também inacessíveis para quem precisa de acessibilidade. A Corregedoria Geral e a Escola Superior da Magistratura (Esma), na Rua Abelardo da Silva Barreto, compartilham calçadas sem rampa para cadeirante e sem sinalização para pessoa de visão reduzida ou nenhuma.


    Em Jaguaribe, na Rua Engenheiro Leonardo Arcoverde, a Secretaria Municipal de Habitação Social (foto acima) deveria ser, mas não é exemplo de acessibilidade. Não tem piso tátil e dispõe apenas de uma rampa na calçada que compartilha com unidade da Polícia Militar que serve ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

    No Cemitério Público do bairro do Cristo, na esquina das ruas Antônia Gomes da Silveira e Olívia Martins de Almeida Guerra, falta calçada toda pavimentada e sobra lixo, com o reforço de galhos de árvores, alguns com espinhos. Zero acessibilidade tanto para quem passa como para quem entra e não sai mais.

    Ainda no Cristo, a Policlínica Municipal da Rua Olívia Martins de Almeida Guerra tem calçada sem piso tátil e sem rampa. Situação parecida com a da Policlínica Municipal Maria Alice Bezerra Cavalcanti, na Avenida Olinda (Tambaú), onde também não tem piso tátil nem rampa.

    A falta de acessibilidade afeta até mesmo a Secretaria Estadual de Cultura (Secult), na Rua Hilda Coutinho Lucena, em Miramar. Não tem piso tátil, mas tem desnível entre asfalto e calçada. No mesmo bairro, o Posto de Saúde da Família (PSF) na Rua Macrina Barbosa de Abril tem rampa, mas não piso tátil.

    Problema semelhante apresenta a Unidade de Saúde da Família do São José, na Avenida Virgolvino Florentino da Costa (Manaíra), que tem apenas um piso rebaixado na entrada. Já no Bessa, a USF da Rua Napoleão Gomes Varela tem três rampas de acesso (uma delas no estado que mostra a foto abaixo), mas não tem piso tátil. A exceção fica por conta de Colibris, com sua USF dotada de rampa e piso tátil.


    O Alumia encontrou duas escolas municipais acessíveis: a Anita Trigueiro do Valle (Altiplano) e a Nazinha Barbosa (Manaíra, foto abaixo). Ambas contam com rampas e piso tátil em suas calçadas.

    Providência semelhante tomou quem levou para o Bairro dos Estados a Ouvidoria Geral do Estado, localizada na Avenida Maranhão. O órgão possui calçada com a guia rebaixada e tem piso tátil.

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    Apuração: Ana Athayde, Ana Sarah Cordeiro, Caren Braga, Deborah Nascimento, Gabriel Fernandes, Janaína Barbosa, Lara Couras, Maria Rayane e Sônia Lima
    Redação: Sônia Lima e Deborah Nascimento

  • FM reforça preconceitos contra mulheres e pessoas LGBTQIA+

    FM reforça preconceitos contra mulheres e pessoas LGBTQIA+

    O programa ‘E se fosse você?’, da Sucesso FM, segue reforçando estereótipos e representações negativas sobre mulheres e pessoas LGBTQIA+. Novo monitoramento do Alumia, entre 28 de julho último e 1º de agosto, identificou uso frequente na emissora de expressões pejorativas como “frutinha”, “frango”, “boiola” e “baitola”, entre outros deboches e ofensas.

    No período, casos envolvendo suspeitas de infidelidade, disputas familiares e acusações de comportamentos inadequados foram abordados com pouca ou nenhuma mediação crítica. Comentários do apresentador e ouvintes frequentemente desqualificam mulheres, com julgamento moral e exclusão social.

    O ‘E se fosse você?’ da Sucesso FM é transmitido de segunda a sábado, das 9 às 10h. É o carro-chefe da programação de uma das cinco concessões públicas de radiodifusão outorgadas ao Grupo Arapuan de Comunicação. O programa coloca a emissora entre as três mais ouvidas da capital paraibana, segundo pesquisas de audiência divulgadas nos últimos cinco anos.

    ‘MORANGUINHO’

    Paloma, 22 anos, casada e mãe de uma criança de dois anos, procurou o programa no dia 28 de julho para contar o que considera um episódio inusitado envolvendo o marido, Paulinho, vendedor em uma loja de calçados de um grande shopping da capital paraibana.

    Segundo Paloma, até então não havia motivos para desconfiar da fidelidade do marido. “Ele sempre foi honesto, comportado e verdadeiro comigo. Nunca fui ciumenta nem de ficar monitorando o celular dele”, contou.

    O episódio que levantou suspeitas ocorreu na sexta-feira anterior. Ao chegar em casa, Paloma percebeu que o carro do casal, estacionado na garagem, estava aberto e, dentro dele, havia uma bandeja de morangos. Pela manhã, ela notou que as frutas estavam aparentemente estragadas. Questionado, Paulinho afirmou que os morangos eram para ela. “Mas, se eram para mim, por que não me entregou?”, questionou.

    A dúvida aumentou quando Paloma, ao mexer no celular do marido, encontrou mensagens trocadas com um amigo identificado como David. No diálogo, Paulinho dizia que “os primeiros [morangos] eram para ele”. A foto do perfil de David mostrava-o mordendo um morango. “Ele disse que é de boa com todo mundo da loja e que não dá em cima dele, mas fiquei sem acreditar”, afirmou Paloma.

    Desde então, o casal não se fala. “Será que meu marido é um ‘moranguinho’ e eu não sabia?”, perguntou, pedindo a opinião de outras mulheres que acompanhavam o programa. Em resposta, ouvintes se referiram a David como “frutinha”, “frango”, “boiola” e “baitola” em tom de deboche e ainda afirmaram que ele estava “comendo o morango e levando outra coisa”. Um outro ouvinte afirmou que o marido de Paloma “é gay” e “gosta de brincar de boneca”. Foram usados ainda outros termos homofóbicos como “picolé de carne”, “viado”, “fanta” e “sukita”.

    ‘AMIGA’ CALOTEIRA

    No programa do dia 29, mulher narra que uma amiga, a quem emprestou cartão de crédito, fez compra não autorizada no valor de R$ 4.500 em benefício de um namorado, que teria se comprometido a quitar a dívida em dez parcelas. Ela costumava emprestar o cartão, mas para compras de no máximo R$ 700.

    A suposta pessoa que enviou a pretensa carta ao programa garante que o namorado da amiga não honrou o pagamento da dívida e a amiga está lhe evitando. Teme que seu marido descubra tudo e pede ajuda, pois não sabe o que fazer. Ouvintes aconselharam-na a revelar tudo ao marido. Alguns sugeriram que o casal prejudicado fosse à casa da devedora tomar bens móveis para amenizar o prejuízo.

    A mulher que se diz enganada foi tratada como “trouxa” por ter emprestado o cartão. “Vai ouvir bastante do marido, mas deve falar pra ele”, disse uma ouvinte. “Quem empresta, nem pra si presta”, sentenciou outra pessoa que ligou para o programa. Um terceiro recomendou “botar o marido no meio para resolver”.

    JANELA INDISCRETA

    Alessandro, casado e pai de família, escreveu para o programa em 30 de julho para relatar um dilema: após autorização do vizinho, Seu Carlos, para abrir uma janela voltada ao quintal dele e assim resolver um grave problema de mofo em casa, enfrenta situação delicada. Conta que a esposa do vizinho, sempre que ele aparece na janela, faz gestos e insinuações de cunho sexual.

    Quem apresenta o programa fez comentários jocosos, carregados de estereótipos de gênero, como “se a mulher dele (do vizinho) é gostosa…”. Entre os que participaram por telefone, a maioria aconselhou Alessandro a se afastar da janela para evitar problemas no casamento e preservar a amizade com o vizinho. Outros defenderam que ele deveria contar tudo a Seu Carlos, mesmo correndo o risco de conflito.

    Houve também comentários mais agressivos, dirigidos tanto a Alessandro quanto à esposa do vizinho. Expressões como “ele está sendo um covarde, safado” e “mulher casada cheira a sangue” marcaram a interação, reforçando o tom ofensivo. O programa tocou músicas como ‘Esperando na janela’ para compor a trilha do caso.

    O episódio expôs não apenas o dilema pessoal do ouvinte, mas também a forma como programas populares exploram situações íntimas em tom sensacionalista, reforçando estereótipos sobre mulheres e privilegiando o entretenimento em detrimento do debate crítico.

    ASSEDIANDO PROFESSORA

    Denise, 27 anos, moradora de João Pessoa, procurou o programa em 31 de julho para contar que vive um impasse no casamento após descobrir o motivo das constantes reclamações do marido, Roberto, sobre a professora do filho. Casados há sete anos, eles têm um menino de cinco anos matriculado em uma escola particular da cidade.

    Segundo Denise, era comum ouvir Roberto, responsável por buscar a criança na escola, criticando a professora. As queixas geraram discussões frequentes no casal, até que ele passou a exigir a transferência do filho para outra instituição. Pressionada, Denise chegou a conversar com a direção da escola para viabilizar a mudança.

    Ao saber da possível saída do aluno, a professora demonstrou tristeza e indignação, mas não explicou o motivo de imediato. Dias depois, já com a matrícula trancada, enviou uma mensagem à mãe revelando a causa das críticas: Roberto estaria enviando mensagens de cunho sexual pelas redes sociais, em modo de visualização única.

    De acordo com Denise, o marido pediu para “deixar a história para lá” quando percebeu que não conseguiria afastar o filho da professora. O caso deixou a mãe dividida entre esclarecer todos os detalhes do episódio ou esquecer o assunto e seguir a vida. Parte dos ouvintes pediu cautela, enquanto outros adotaram tom acusatório e até irônico.

    Alguns defenderam que Denise investigue mais antes de agir, sugerindo que procure entender todos os detalhes da história. Outros não pouparam críticas, chamando Roberto de “bandido” e acusando tanto ele quanto a professora de desrespeitar o relacionamento. Houve também quem atribuísse maior responsabilidade à professora.

    Entre as manifestações mais duras, uma ouvinte questionou se Denise “tem vocação para corna” e outro participante propôs que ela “desse o troco”, traindo o marido. Vários dos que ligaram disseram acreditar que Roberto e a professora estariam vivendo realmente um relacionamento amoroso.

    ASSÉDIO NORMALIZADO

    No programa de 1º de agosto, Maiara, 25 anos, mãe de uma menina de três, sofreu assédio do melhor amigo de seu namorado e tem dúvidas se deve contar o ocorrido. Maiara é a vítima, mas percebe-se nas falas dos ouvintes e do apresentador a preocupação com o namorado da vítima e certa condescendência com o assediador.

    “Meu namorado se chama Ítalo, um cara que me ajuda muito (…) Eu tenho um emprego razoável e eu nunca pedi ajuda a ninguém, mas Ítalo ajuda porque quer, porque se sente bem me ver feliz e também confortável (…) Ítalo é um cara de muitas amizades, dentre esses amigos existe o Jefferson. Um cara que eu jurava ser o melhor amigo do meu namorado, que sempre falava bem dele. Sempre com muito orgulho e muita empolgação (…) Eu sempre ouvia meu namorado falar que Jefferson emprestava dinheiro”.

    Maiara, em momento de dificuldade financeira, resolveu recorrer ao amigo do namorado em busca de um empréstimo, a juros de 30% ao mês. Ao prever o possível atraso do pagamento em alguns dias, Maiara se comunica com Jefferson para lhe dar satisfação e recebe de volta um áudio (de visualização única), com uma proposta sexual em troca do perdão da dívida. Ela disse que sentiu nojo, ódio e tem vontade de contar tudo ao namorado. Mas nada poderia provar por ser o áudio de visualização única.

    Ela teme que o namorado não acredite ou se aborreça, porque ela não recorreu a ele para pedir ajuda. “Meu namorado não merece uma amizade dessa! Devo falar pra Ítalo?”, pergunta Maiara à audiência do ‘E se fosse você?’.

    Na sequência o apresentador fala: “A mulher não sabe o que tem dentro de um homem, nunca vai saber o que acontece quando ele vira a chave, quando o cara bota a bila de fogo nos olhos. Tu disseste o quê? Tu fizeste o quê?’. Em seguida, ele ironiza a situação ao imaginar como a mulher contaria tudo ao namorado:
    – Já pensou se Maiara dissesse “Jefferson queria me ‘torar’ pelo pagamento?” Todo homem tem um comportamento másculo, apesar que tem uns homens hoje em dia que estão com déficit de testosterona.

    Ouvintes sugeriram que a mulher não contasse o caso ao namorado. “Deixe essa história para trás e evite colocar o homem em conflito”, recomendou um. Outro reproduziu o que certamente considera um ensinamento: “A mulher sábia edifica o lar, e a tola o destrói”. No geral, os ouvintes, principalmente os homens, aconselham a mulher a deixar a história no passado. Um deles, inclusive, diz que ela deve “apenas tirar uma lição do ocorrido”.

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    Apuração: Anna Athayde, Janaína Barbosa, Lívia Trajano, Jean Santos e Sabrina Farias

    Supervisão e Redação: Sônia Lima e Ítalo Rômany

  • Calçadas ameaçam quem anda a pé em João Pessoa

    Calçadas ameaçam quem anda a pé em João Pessoa

    O Alumia fez o monitoramento para avaliar a qualidade das calçadas em João Pessoa. Os resultados mostraram desníveis, obstáculos como postes, degraus, entulhos, lixeiras, motos e carros estacionados, falta de pavimentação e árvores mal posicionadas.

    Esses problemas impactam o deslocamento a pé e negligenciam o direito à mobilidade urbana para todas as pessoas. Idosos, crianças e Pessoas com Deficiência (PCD) ou com dificuldade de locomoção são as mais afetadas.

    Para Crisantina Cartaxo, 83 anos, assistente social aposentada, “a má conservação, raízes de árvores, buracos e batentes nas calçadas no bairro de Tambaú, onde moro, impossibilitam diariamente o deslocamento da pessoa idosa”.

    Guia Lima, professora aposentada, moradora do Jardim Planalto, disse que só passou a ver as más condições das calçadas após ser acometida por um problema reumatológico. “O desnível das calçadas, os buracos e a falta de rampas são terríveis para quem tem a mobilidade afetada, daí corremos o risco de sofrer acidentes”, disse.

    Késia Ferreira teve poliomielite na infância. Ela mora perto de uma feira no bairro do Rangel, mas na condição de cadeirante não consegue fazer suas compras sozinha. “Para sair de casa, tenho que ir pelo asfalto correndo risco de ser atropelada porque as calçadas não oferecem rampas”, lamenta.

    As calçadas que deveriam conectar com segurança as pessoas aos transportes públicos, ao comércio e aos equipamentos urbanos são mal conservadas em todos os bairros visitados pelo Alumia: Altiplano, Tambaú, Manaíra, Bancários, Bairro dos Estados, Bessa, Castelo Branco, Colibris, Cristo e Jaguaribe.

    O deslocamento a pé também é complicado na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, em Tambaú, onde o muro de uma casa avança sobre a área destinada à calçada, causando risco de atropelamento de pedestres.

    Não bastasse isso, em ruas como a João Câncio, no bairro de Manaíra, é comum o pedestre se deparar com carros estacionados nas calçadas, como mostra a foto a seguir. Na maioria das vezes, a pessoa é obrigada a se arriscar pisando o asfalto, onde o corpo humano compete e geralmente perde para os automóveis.

    Ainda em Tambaú, é recorrente o uso de bloquetes de concreto para impedir o estacionamento de carros sobre as calçadas. Os bloquetes se transformam em obstáculos para pedestres, principalmente para as Pessoas com Deficiência, como ocorre na Avenida Infante Dom Henrique.

    No Castelo Branco, na Rua Coronel Matos Cardoso, além do estreitamento das calçadas, a caminhabilidade é dificultada por lixeiras, vergalhões de ferro, batentes e postes. Também no Castelo, na Rua São Rafael, as calçadas exibem batentes e declives.

    No bairro dos Colibris, na Rua Benício de Oliveira, há calçada sem conservação, com pedras soltas, que podem provocar quedas e acidentes.

    Em Jaguaribe, na Avenida Paulo Afonso e na Rua General Eurico Gaspar, vegetação e lixo (foto abaixo) cobrem as calçadas, gerando preocupações e transtornos para pedestres.

    No Altiplano, a Rua Henrique Sales Monteiro tem calçadas em má condição, piso irregular, buracos, impróprias para cadeirantes.

    Em vários bairros, como o Cristo Redentor, na Rua Olívia de Almeida, caixas de concreto sem tampa representam riscos à segurança e à higiene pública. O problema também ocorre na Rua Professora Eudésia Vieira, no Bairro dos Estados, como mostra a foto principal.

    No Bessa, vegetação e tijolos nas calçadas atrapalham a caminhada dos moradores e visitantes. E na Rua Luiz Gonzaga de Andrade (foto abaixo), no bairro dos Bancários, os pedestres enfrentam entulhos, troncos de árvore, postes e desníveis nas calçadas.

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    Apuração: Anna Athayde, Ana Sarah Cordeiro, Anna Marissa, Caren Braga, Deborah Nascimento, Dinarte Varela, Gabriel Fernandes, Janaína Barbosa, Lara Couras, Lívia Trajano e Sônia Lima

    Supervisão e redação: Sônia Lima

  • É falso vídeo de Ivete Sangalo defendendo Lula e o governo

    É falso vídeo de Ivete Sangalo defendendo Lula e o governo

    Um vídeo no qual Ivete Sangalo elogia o presidente Lula e o defende com veemência de acusações recorrentes de adversários viralizou esta semana na Internet. É montagem, falsificação comprovada pelo Alumia.

    Muito provavelmente utilizando recursos de Inteligência Artificial, os falsificadores colaram sobre imagens da cantora um discurso estranho à postura discreta e contida da artista quando trata publicamente de política.

    A adulteração distorce por completo a participação de Ivete no programa Sem Censura que a TV Brasil transmitiu ao vivo do Teatro 2 de Julho, em Salvador (BA), em 20 de janeiro deste ano. Em nenhum momento, a artista se refere a Lula.

    O Sem Censura daquele dia durou duas horas e sete minutos. O programa, apresentado pela atriz Cissa Guimarães, foi assistido na íntegra pela equipe do Alumia encarregada da checagem.

    Todas as falas da cantora narram episódios engraçados que antecederam seu início de carreira, quando trabalhou em lojas de shopping da capital baiana, nas quais empenhava-se mais em vender marmitas feitas por sua mãe.

    Apesar do vídeo falso expor a voz de Ivete sem inflexão alguma, sem modulação em frases ou palavras, com entonação completamente linear, o conteúdo mereceu crédito e milhares de postagens nas redes sociais e aplicativos de interação.

    Assista e compare. O vídeo abaixo, original, traz exatamente o trecho falsificado. Em seguida, o link para quem quiser conferir a fake news.

    https://www.instagram.com/reel/DNFiueaAgj3/?igsh=MXRsY2dxM2RmNnh5eQ%3D%3D

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    Apuração: Sandra Moura e Deborah Nascimento

  • Falta acessibilidade, sobram problemas nos pontos de ônibus da capital

    Falta acessibilidade, sobram problemas nos pontos de ônibus da capital

    A falta de acessibilidade é uma das marcas mais visíveis dos pontos e paradas de ônibus de João Pessoa. A maioria não dispõe de calçada regular, de piso uniforme sinalizado para cegos ou rampas para quem usa cadeira de rodas.

    No esforço de checagem para atender a uma pauta sugerida por usuário do transporte coletivo da capital, o Alumia constatou a procedência de denúncias e reclamações sobre descaso e omissão da autoridade municipal de trânsito.

    Na Avenida Cruz das Armas, apenas dois pontos de ônibus contam com bancos e acessibilidade. Esse da foto acima, na calçada do Cemitério São José, retrata bem o tratamento dispensado ao problema pelo poder público.

    Perto do mesmo ponto funciona o Colégio Papa Paulo VI, onde estudam cerca de dois mil alunos, a maioria dependente de ônibus. São dois mil passageiros em potencial de um sistema com múltiplas precariedades.

    Dotado apenas de cobertura, o ponto não tem uma calçada com piso regular. Muito menos piso tátil para quem não tem visão ou a tem reduzida e sequer uma rampinha próxima, na guia rebaixada, à disposição de cadeirantes.

    E o que dizer, então, desse mostrado na foto abaixo, mais adequado, pelo visto, para servir como abrigo de moto? Fica na Henrique Sales Monteiro, uma rua da área menos valorizada do bairro do Altiplano do Cabo Branco.

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    Apuração e fotos: Sandra Moura e Sônia Lima

  • Pontos de ônibus da capital são também pontos de discriminação social

    Pontos de ônibus da capital são também pontos de discriminação social

    Pontos de ônibus novos, bem estruturados, com cobertura, bancos e piso tátil para pessoas cegas ou de visão limitada podem ser encontrados em João Pessoa. Mas é quase uma exclusividade de ruas e avenidas mais extensas e mais bem cuidadas, que cortam ou separam bairros ditos nobres na capital.

    São vias de acesso às praias, como as avenidas Epitácio Pessoa, Beira-Rio e Tancredo Neves. Mesmo assim, nota-se constrangedora discriminação com que a Prefeitura da Capital cuida de cada uma. Nos trechos onde moram pessoas de renda média ou alta, os pontos de ônibus são melhores, mais seguros e minimamente confortáveis.

    Na Epitácio Pessoa, do centro à orla, indo e voltando, os pontos de ônibus encontram-se em boas condições de uso. Na Beira-Rio, nos sentidos centro-praia ou praia-centro, já se nota um queda na qualidade dos equipamentos. Que piora ainda mais na Tancredo, especialmente na parte que cabe a Mandacaru, só melhorando quando motorista e passageiros atingem o Retão de Manaíra.

    BOULEVARD BEM SERVIDO

    Transformada em vistoso e aprazível boulevard após uma reforma requalificadora empreendida há um ano pela Prefeitura em parceria com o Governo do Estado, o conjunto de vias chamado de Três Ruas dos Bancários (Avenida Waldemar de Mesquita Accioly) ganhou pontos de ônibus dignos (foto acima) de um bom serviço de transporte coletivo que João Pessoa um dia há de ter.

    O resto do bairro, contudo, continua a sofrer com locais de espera precários e inseguros para quem ‘anda’ de ônibus. Da precariedade e insegurança não escapa nem mesmo a chamada Principal dos Bancários (formada pela sequência das avenidas Bancário Sérgio Guerra, Walfredo Macedo Brandão e Empresário João Rodrigues Alves), como se vê na foto abaixo.


    EM CRUZ DAS ARMAS…

    Na avenida que traz o mesmo nome do bairro mais antigo da Zona Oeste da capital, da altura da Praça Bela Vista até o semáforo do acesso ao Bairro dos Novais, seis paradas (só placas indicativas) e 12 pontos de ônibus (quando têm pelo menos cobertura). Desses, apenas dois têm bancos; outros dois, bancos e acessibilidade.

    Detalhe: na mesma avenida, na calçada do Hospital da Mulher (antiga Maternidade Frei Damião) existe piso tátil. Mas pacientes, seus familiares e outros usuários de ônibus mereciam um ponto com cobertura e banco. Contam apenas, todavia, com uma placa da parada (foto abaixo) antecedida de rampa para cadeirantes.

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    Apuração e fotos: Mateus Toledo / Supervisão: Sônia Lima

  • Ponto de ônibus na capital é uma parada de descaso, desconforto e precariedades

    Ponto de ônibus na capital é uma parada de descaso, desconforto e precariedades

    “Pior do que pegar é esperar ônibus em João Pessoa”, disse usuário(a) do transporte coletivo urbano da capital em mensagem ao Alumia, sugerindo a este Laboratório verificar o estado em que se encontram os pontos e paradas de ônibus da cidade.

    Equipe do Alumia constatou semana passada que a maioria tem estrutura precária, desconforto e falta de conservação, além de flagrante despadronização, tanto visual quanto do material com que são fabricados e instalados os pontos de ônibus. Padronização, só mesmo das placas que sinalizam paradas.

    A má qualidade dos equipamentos e do serviço a que se destinam é tamanha que chamou a atenção do jornalista Abelardo Jurema, referência do chamado colunismo social da Paraíba, que cobre essencialmente fatos e eventos de pessoas ricas ou famosas.

    A ausência de abrigos para passageiros de ônibus em espera de transporte expõe “falha imperdoável no planejamento urbano de nossas ruas e avenidas”, anotou Abelardo na seção ‘Desce’ da sua coluna publicada na última quarta-feira (30 de julho).

    Com mais de 50 anos de atuação na imprensa paraibana, Abelardo Jurema não precisa se deslocar a qualquer rua ou avenida da capital para conferir o descaso e a exposição ao sol ou chuva de quem aguarda ônibus em qualquer ponto ou parada.

    Basta trafegar por Tambaú, endereço de classe média alta de João Pessoa. Difícil encontrar cobertura, banco ou acessibilidade (piso tátil, por exemplo) nos pontos ou paradas de ônibus usados mais ou unicamente por quem trabalha para os abastados do bairro.

    Quadro semelhante o Alumia registrou em Jaguaribe, Bairro dos Estados, Bessa e bairros da Zona Sul. Mas nem tudo está perdido! É possível encontrar algo decente nos corredores viários onde a Prefeitura da Capital requalificou calçadas, em gestão anterior.

    Nas fotografias a seguir, de cima para baixo: um ponto de ônibus bem estruturado na Avenida Epitácio Pessoa, em Tambaú; um sem estrutura alguma na Avenida Hilton Souto Maior (Colibris) e uma parada na Capitão José Pessoa, em Jaguaribe.